Relação Toffoli e Banco Master: Relatoria e Conexões de Familiares

A ligação entre o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o Banco Master concentra-se em sua atuação como relator do inquérito que investiga supostas fraudes na instituição financeira, um caso que ganhou notoriedade devido a revelações sobre conexões indiretas entre empresas de familiares do magistrado e fundos ligados ao banco investigado.
Dias Toffoli é o relator do inquérito sigiloso no STF que apura um suposto esquema de fraudes no Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A investigação, conduzida pela Polícia Federal (PF), foca em alegações de fraudes na emissão de títulos de crédito, com prejuízos estimados em até R$ 12 bilhões, segundo relatórios do Banco Central.
Atuação de Toffoli como Relator
O ministro Toffoli passou a conduzir o processo no STF após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que a investigação fosse remetida à Suprema Corte. Recentemente, o caso ganhou novos desdobramentos com a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que resultou em mandados de busca e apreensão e na prisão temporária de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro.
Em meio às diligências, o ministro Toffoli expressou publicamente sua insatisfação com a Polícia Federal devido à demora no cumprimento de ordens judiciais, chegando a reclamar da “falta de empenho” da corporação. Ele determinou que todos os bens, documentos e eletrônicos apreendidos fossem enviados diretamente à Procuradoria-Geral da República (PGR) para perícia e acautelamento, contrariando uma determinação inicial de que fossem levados ao STF.
Indicações e Controvérsias na Perícia
A decisão de encaminhar o material à PGR gerou polêmica, sendo que a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) manifestou preocupação, argumentando que a análise de provas digitais cabe tecnicamente ao Instituto Nacional de Criminalística.
Em resposta, Toffoli indicou quatro peritos da Polícia Federal para acompanhar a extração de dados e a perícia do material apreendido, ressaltando a necessidade de preservação das provas. O ministro também citou “fartos indícios” de que os investigados continuam a praticar crimes.
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Conexões Financeiras Indiretas com Familiares
A ligação mais sensível entre Toffoli e o caso Banco Master reside em revelações de que empresas ligadas a familiares do magistrado tiveram participação societária de um fundo de investimentos que integra a cadeia financeira investigada.
Documentos societários apontaram que o Arleen Fundo de Investimentos, administrado pela Reag, manteve participação em duas empresas associadas a parentes de Toffoli até meados de 2025:
- Tayayá Administração e Participações: Responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR), que teve entre seus acionistas irmãos de Dias Toffoli.
- DGEP Empreendimentos: Uma incorporadora imobiliária na mesma cidade, que contava com um primo do ministro no quadro societário.
A conexão com o inquérito do Banco Master se dá porque o fundo Arleen investiu no RWM Plus, que recebeu recursos de fundos ligados ao Maia 95. Este último é um dos seis fundos apontados pelo Banco Central como parte da suposta estrutura usada para fraudes atribuídas ao banco controlado por Daniel Vorcaro.
A Administradora Reag
Um ponto crucial na interligação é a administradora Reag. A empresa não só gerenciava o fundo Arleen, ligado indiretamente aos familiares de Toffoli, mas também administrava fundos associados diretamente a Daniel Vorcaro. A Reag é, inclusive, investigada pela Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Apesar da proximidade estrutural, o Arleen Fundo de Investimentos não é alvo direto das investigações do Banco Master. A defesa de Daniel Vorcaro negou irregularidades e afirmou que a instituição financeira não teve envolvimento com os fundos mencionados na reportagem.
Debate sobre Imparcialidade
As descobertas geraram questionamentos sobre possível conflito de interesses e imparcialidade de Dias Toffoli, já que ele também tem amizade de longa data com advogados que atuam na defesa de Daniel Vorcaro, incluindo um que teria custeado sua hospedagem em um casamento em Capri, Itália, em 2011, quando Toffoli já era magistrado.
Apesar das controvérsias levantadas pela imprensa sobre essas conexões financeiras e pessoais, o STF afirmou que nunca foi cogitado o afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master.
A investigação segue sob a condução de Toffoli no STF, com foco na análise do vasto material probatório apreendido na Operação Compliance Zero e na apuração das supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional envolvendo o Banco Master e sua cúpula.
