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O site que deixou Globo, CNN e TSE para trás na apuração

PorPaulo Sergio 05/10/202605/10/2026
Mapa de apuração das Eleições 2026 no site SeuImposto.com com dados estaduais em tempo real

Na noite de 4 de outubro de 2026, enquanto milhões de brasileiros acompanhavam a apuração de votos do primeiro turno das eleições gerais, um projeto desenvolvido por uma única pessoa protagonizou um dos episódios mais comentados da cobertura política e tecnológica nas redes sociais. Hospedado no domínio SeuImposto.com e concebido pelo programador Bruno César (@brunoclz), o mapa interativo atualizou percentuais de votos com minutos de vantagem em relação às transmissões ao vivo da TV Globo, da CNN Brasil e até mesmo do aplicativo oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

vou ver apuração aqui só por causa do design https://t.co/m1hy2ct2GA https://t.co/nhzGPtj0mO

— Bruno César (@brunoclz) October 4, 2026

O congestionamento no TSE e o abismo de dados na televisão

A visível defasagem entre o site independente e as emissoras ocorreu em um momento crítico da apuração nacional. Por volta das 19h, a totalização de votos no painel público do TSE estagnou na faixa dos 64%, permanecendo congelada por cerca de uma hora antes de avançar subitamente para 84% próximo às 20h. O presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou oficialmente que o sistema de divulgação enfrentou congestionamento decorrente de um fluxo atípico de dados, exigindo o isolamento temporário de conexões auxiliares, segundo apuração da CNN Brasil.

Enquanto as equipes de transmissão de televisão aguardavam a sincronização dos dados oficiais consolidados pelas centrais de mídia, a diferença ficou evidente para o público em casa. Às 21h25, Bruno César publicou fotografias comprovando a distância entre as telas: enquanto CNN e Globo marcavam 21,96% da apuração nacional, o SeuImposto já apontava 24,7%.

Em cálculo próprio, essa margem de 2,74 pontos percentuais representou um avanço de 12,5% a mais de urnas totalizadas na tela do site em relação ao painel das emissoras naquele instante. Em momentos de pico do gargalo técnico do órgão oficial, eleitores relataram diferenças ainda mais acentuadas, com canais de TV exibindo 60% enquanto o mapa web já indicava 85% de apuração concluída.

Como o mapa superou a transmissão oficial consumindo a API direta

A agilidade do mapa SeuImposto não decorreu de apuração paralela ou projeções estatísticas, mas sim de uma escolha de engenharia no consumo da fonte de dados primária do próprio TSE. Diante de questionamentos sobre como os números chegavam antes, o desenvolvedor explicou a dinâmica em sua conta no X:

Enquanto os sistemas públicos de massa e os canais de imprensa tradicional recorrem a redes de entrega de conteúdo (CDNs) intermediárias com regras rígidas de cache e intervalos de segurança para conter quedas por sobrecarga, o mapa foi programado para consultar os endpoints públicos da API de dados abertos da Justiça Eleitoral em uma taxa de atualização acelerada. Como detalhou Bruno na noite do pleito: “tô pegando direto da API deles, talvez não estejam atualizando em tempo real” e “acho que as apurações por segurança só mostram o que está no app do TSE, enquanto eu vou direto na API deles e atualizo num rate maior”.

Engenharia minimalista: Preact, Canvas 2D e malha do IBGE

Para suportar a carga de até 140 mil conexões simultâneas sem interrupções, a aplicação utilizou uma pilha de desenvolvimento orientada a desempenho extremo. A base foi construída em Preact acompanhado da biblioteca htm (Hyperscript Tagged Markup) e estilização em CSS puro escrita à mão, evitando bibliotecas corporativas pesadas que sobrecarregam o navegador do cliente.

O desenho cartográfico utilizou a tecnologia de Canvas 2D, alimentada pela malha geográfica oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para garantir leveza no carregamento vetorial de estados e municípios, os dados foram processados na ferramenta mapshaper e estruturados em formato TopoJSON. O padrão visual adotou referências da plataforma americana Kalshi, harmonizando as tipografias Faustina e Geist na exibição de dados para Presidente, Governador, Senado e Câmara dos Deputados.

Quem é o desenvolvedor por trás do projeto

O autor do mapa é Bruno César, desenvolvedor e builder brasileiro que reúne cerca de 91 mil seguidores no X e é conhecido na comunidade de tecnologia por construir protótipos rápidos e produtos funcionais com forte apelo estético. Em sua trajetória profissional, acumula passagens por empresas como a Sphere Labs (infraestrutura de pagamentos internacionais com stablecoins), o banco de investimentos BTG Pactual e o Clube de Regatas do Flamengo, além de já ter realizado um exit no ecossistema de startups.

Com um perfil ativo pautado pela prática de documentar projetos em tempo real (build in public) e comunicação direta, Bruno construiu o mapa sozinho em curto intervalo antes do pleito, unindo seu histórico no setor financeiro e de produtos de alta escalabilidade para entregar uma ferramenta de utilidade pública no momento de maior tráfego da internet brasileira.

Leilão relâmpago: do lance de R$ 1 à venda de anúncio por R$ 100 mil

A explosão repentina de tráfego gerou uma oportunidade comercial imediata durante a apuração. Quando o site atingiu a marca de 80 mil usuários simultâneos, Bruno abriu um leilão público no X, oferecendo um espaço de pop-up e banner publicitário na plataforma pelo maior lance ofertado, com valor inicial de apenas R$ 1.

Pouco tempo depois do anúncio, o desenvolvedor confirmou a conclusão da negociação com a mensagem “Vendido por R$100k”, marcando uma das vendas de espaço digital mais velozes já registradas em transmissões políticas nacionais.

Vendido por R$100k

— Bruno César (@brunoclz) October 4, 2026

Publicações na rede social apontaram a empresa de educação executiva G4 Educação como compradora do espaço. A informação não foi contestada pelo desenvolvedor, que em seguida interagiu de forma descontraída com a marca ao mencionar o evento G4 Valley e afirmar que manteria o banner no ar durante o segundo turno eleitoral.

Repercussão nas redações e planos para o segundo turno

O impacto do projeto repercutiu diretamente nos bastidores do setor de tecnologia e mídia na manhã de 5 de outubro, com Bruno comentando a pressão sobre as equipes de engenharia das grandes redes de televisão:

Assinado no topo com a marcação “Feito pela Pandora”, o projeto ressalta a capacidade técnica de desenvolvedores brasileiros em entregar interfaces que solucionam problemas reais de usabilidade em eventos de massa, dialogando com o ecossistema de tecnologias open source. Para a segunda fase do pleito em 25 de outubro de 2026, Bruno César adiantou que realizará melhorias de estabilidade e novos filtros, além de abrir o código-fonte da aplicação para a comunidade de programadores após o término da apuração final.

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