Toyota: Fábrica de Motores em SP Só Volta em 2028 Após Estrago

A Toyota confirmou que a fábrica de motores localizada em Porto Feliz, no interior de São Paulo, terá sua plena operação retomada somente em 2028. O cronograma de reconstrução da unidade, que foi severamente danificada por uma forte tempestade em setembro de 2025, prevê que a nova planta será totalmente modernizada, mais enxuta e robotizada.
O desastre ambiental, descrito por alguns como uma microexplosão atmosférica associada ao vendaval, causou a destruição do telhado e sérios danos estruturais, forçando a paralisação imediata da produção de propulsores, que são vitais para as linhas de montagem de veículos da montadora no Brasil, como os modelos Corolla, Corolla Cross e o recém-lançado Yaris Cross.
Impacto da Paralisação e Soluções de Contingência
A interrupção da produção em Porto Feliz gerou um impacto imediato em toda a cadeia produtiva da Toyota no país. As fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, que dependem dos motores da unidade danificada, também tiveram suas atividades suspensas inicialmente.
Segundo Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil, a prioridade da companhia foi manter o foco nas pessoas, sejam elas os funcionários, fornecedores ou clientes, em vez de focar primariamente no custo financeiro da paralisação e importação.
Produção Provisória e Importações
Para mitigar os danos e garantir o lançamento do Yaris Cross, cujo motor flex foi desenvolvido especificamente para o mercado brasileiro e não possuía estoque de backup em outras plantas, a Toyota implementou um plano de contingência acelerado.
- Galpão Alugado: A montadora alugou um galpão industrial no próprio município de Porto Feliz, que inicialmente serviria apenas para armazenagem, mas foi rapidamente adaptado para se tornar uma linha de montagem provisória de motores flex.
- Motores Flex: A produção temporária no galpão alugado foi crucial para viabilizar a montagem dos motores flex destinados ao Yaris Cross e, em parte, aos modelos Corolla e Corolla Cross.
- Fornecimento Externo: Para complementar a demanda, parte dos motores e componentes foram importados, inclusive do Japão, embora a empresa tenha feito um esforço para priorizar fornecedores nacionais com quem possui compromissos de longo prazo.
A paralisação inicial resultou em uma perda de cerca de 20% nas vendas da Toyota logo após o evento, em novembro de 2025.
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Gestão de Pessoal e Reconstrução da Fábrica
Um aspecto destacado pela liderança da Toyota foi o compromisso com o seu quadro de funcionários. A empresa mobilizou os cerca de 800 trabalhadores da unidade de Porto Feliz: parte foi direcionada para atuar na linha de produção improvisada, outra parcela foi realocada para a unidade de Sorocaba, e um grupo menor foi colocado em regime de layoff (suspensão temporária de contrato). O presidente Maggio enfatizou que não haverá demissões, considerando os profissionais altamente qualificados e de grande valor para a organização.
O Futuro da Unidade de Porto Feliz
A reconstrução da fábrica original segue um cronograma que prevê a finalização da nova unidade para o final de 2027, com a retomada total da produção programada para 2028. A nova instalação será significativamente diferente da anterior. O presidente Maggio indicou que o novo complexo será uma “fábrica de motores mais enxuta, mais robotizada e mais compacta”, aproveitando apenas o piso da estrutura original, visto que o restante foi comprometido.
A Toyota reforça que, apesar do revés, seus planos de investimento de R$ 11,5 bilhões no Brasil, anunciados anteriormente, foram mantidos. Isso inclui a expansão tecnológica, como a criação de um laboratório de biocombustíveis em Sorocaba, sinalizando a confiança da marca no mercado brasileiro a longo prazo.
Enquanto a nova planta não é concluída, a produção de veículos continua sendo suprida pelas operações temporárias e importações, com as fábricas de Indaiatuba e Sorocaba trabalhando em capacidade total para compensar o déficit, visando a normalização completa do abastecimento da rede até 2028.
