TRE-RJ Manda André Marinho Remover Vídeos com IA que Atacam Paes

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou a remoção de vídeos publicados pelo pré-candidato ao governo do estado, André Marinho (Novo), que utilizam inteligência artificial (IA) para atacar o prefeito do Rio e também pré-candidato, Eduardo Paes (PSD). A decisão liminar, proferida pela juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo, atende a uma representação do Partido Social Democrático (PSD), que alegou propaganda eleitoral negativa antecipada e uso indevido de tecnologia.
A ação do PSD argumenta que os vídeos, que empregam a técnica de deepfake para simular a imagem e a voz de Eduardo Paes, não informam claramente o uso de IA, o que desrespeitaria as normas eleitorais. Além disso, o partido sustenta que o conteúdo ofende a honra de Paes e pode comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral antes mesmo do início oficial da campanha para as eleições de 2026.
A Origem da Controvérsia: Vídeos de IA e Acusações
Os vídeos em questão, divulgados nas redes sociais de André Marinho, satirizam Eduardo Paes e sua administração. Em um dos materiais, Marinho se refere a Paes como “Eduardo Caos” e critica o evento “Todo Mundo no Rio”, que promove shows gratuitos em Copacabana com artistas internacionais. A gravação ironiza a existência de uma área VIP restrita a convidados, enquanto o público geral estaria distante do palco e exposto a problemas de segurança.
O conteúdo gerado por IA mostra uma versão artificial de Eduardo Paes segurando cartazes com frases ofensivas e atribuindo características negativas ao político, como “cara falso, sem espinha dorsal e sem autoridade moral”. O PSD alega que essas publicações configuram difamação eleitoral e disseminação de informações inverídicas, buscando construir uma imagem negativa de Paes perante o eleitorado.
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Decisão Judicial e Prazos
A juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo concedeu um prazo de 24 horas para que André Marinho removesse as publicações de suas contas no Facebook e Instagram, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A magistrada destacou que o uso de ferramentas digitais para simular a fala de um candidato, sem a devida identificação, extrapola os limites da liberdade de expressão e pode espalhar desinformação no cenário eleitoral.
Inicialmente, Marinho removeu o conteúdo de seus perfis no Facebook e Instagram, mas o material ainda podia ser encontrado em seu canal no YouTube. A decisão do TRE-RJ reforça o rigor da Justiça Eleitoral contra o uso manipulativo da inteligência artificial em campanhas políticas.
O Contexto da IA nas Eleições 2026
Este caso no Rio de Janeiro é um dos primeiros a envolver diretamente o uso de IA em pré-campanhas eleitorais para 2026 e destaca a crescente preocupação com a desinformação e a manipulação de conteúdo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem se posicionado ativamente para regulamentar o uso da inteligência artificial, buscando garantir a integridade do processo democrático.
Regras do TSE para IA
- Identificação Clara: A Resolução 23.732 do TSE, atualizada em 2024, exige que todo conteúdo de propaganda eleitoral criado ou alterado por IA seja explicitamente identificado, com aviso claro e visível.
- Proibição de Deepfakes Maliciosos: A regulamentação busca impedir montagens realistas que simulem falas, imagens ou comportamentos de pessoas reais com o objetivo de enganar o público.
- Restrições a Provedores de IA: Empresas que oferecem sistemas de IA estão proibidas de ranquear, recomendar ou favorecer candidatos ou partidos por meio de algoritmos, devendo implementar planos de conformidade e canais de denúncia.
- Inversão do Ônus da Prova: Em representações que envolvam conteúdo sintético, pode haver a inversão do ônus da prova, exigindo que a candidatura ou partido demonstre a licitude do material.
- Proibição Próximo à Eleição: É proibido postar, republicar ou impulsionar novos conteúdos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas que antecedem o pleito e nas 24 horas posteriores, para evitar ataques de última hora.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, já classificou as ferramentas de IA como um dos principais desafios para as eleições de 2026, referindo-se à “mentira tecnicamente otimizada”. A Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do Procurador-Geral Paulo Gonet, também anunciou vigilância contra o uso de deepfakes na campanha eleitoral.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
A decisão do TRE-RJ contra André Marinho sublinha a seriedade com que a Justiça Eleitoral brasileira está tratando a questão da inteligência artificial. Este caso serve como um precedente importante para as próximas eleições, indicando que a fiscalização será rigorosa contra a desinformação e a manipulação digital.
A crescente sofisticação das ferramentas de IA e a facilidade de acesso a elas tornam a regulação e a fiscalização um desafio contínuo. Especialistas defendem regras ainda mais rígidas e maior responsabilização das plataformas digitais para proteger o debate democrático. A capacidade de distinguir o que é verdadeiro do que é artificial é crucial para que os eleitores tomem decisões baseadas em fatos.
O debate sobre a legislação eleitoral e a internet continua em evolução, com advogados e professores argumentando que as leis precisam acompanhar as transformações tecnológicas para lidar com os desafios impostos pelas redes sociais e pela IA generativa.
