Golpe com vídeo IA burla alertas de bancos e induz pagamentos

Um novo e sofisticado golpe digital tem alarmado especialistas em segurança, utilizando vídeos gerados por inteligência artificial (IA) para driblar os alertas de segurança dos bancos e persuadir vítimas a realizar pagamentos fraudulentos. A tática, que explora a credibilidade visual da IA, representa um desafio crescente para consumidores e instituições financeiras no Brasil.
Relatos recentes indicam que criminosos estão empregando deepfakes — tecnologia capaz de reproduzir com alto grau de realismo a imagem, voz, sotaque e expressões faciais de uma pessoa — para criar narrativas convincentes que levam as vítimas a ignorar os avisos de risco emitidos pelos sistemas bancários.
Como o Golpe com Vídeo IA Funciona
O esquema geralmente começa com a vítima recebendo um link suspeito por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem, direcionando-a para uma plataforma falsa. Em um caso notório, os golpistas criaram um site que imitava a empresa Caterpillar, produtora de tratores e equipamentos agrícolas.
Nessas plataformas fraudulentas, vídeos produzidos com inteligência artificial são exibidos para incentivar investimentos com promessas de rendimentos diários extremamente altos, como quase 8% para o aluguel compartilhado de maquinário. O objetivo central desses vídeos é construir uma falsa sensação de legitimidade e urgência, persuadindo as vítimas a desconsiderar quaisquer alertas de fraude que seus bancos possam emitir durante a transação.
Ao acessar o site falso, os usuários são induzidos a ceder dados pessoais e a realizar transferências via Pix para o suposto investimento. Além disso, muitos desses golpes têm características de pirâmide financeira, incentivando as vítimas a recrutar outras pessoas em troca de ganhos, o que é crime no Brasil.
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A Sofisticação da IA na Engenharia Social
A inteligência artificial tem permitido aos criminosos aprimorar significativamente as técnicas de engenharia social. Se antes os golpes eram mais fáceis de identificar por erros grosseiros de português ou pedidos incomuns, hoje a IA possibilita a criação de mensagens, roteiros e até interações que parecem autênticas.
Pesquisadores de segurança, como Jonathan Ramos da Eset, afirmam que o uso de IA para ignorar alertas bancários representa um novo patamar na estratégia de persuasão dos golpistas. Eles desenvolvem uma narrativa completa para reduzir a desconfiança das vítimas, antecipando e neutralizando os mecanismos legítimos de proteção dos bancos.
Relatórios internacionais apontam que o Brasil está entre os países mais afetados por fraudes do tipo deepfake, com um crescimento superior a 800% em apenas um ano, liderando esse tipo de golpe na América Latina.
Impacto Financeiro e Resposta das Instituições
O cenário é alarmante. Dados do Banco Central revelam que os prejuízos com golpes via Pix alcançaram R$ 6,5 bilhões em 2025, com um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores. Em muitos casos, a falha não está no sistema bancário, mas na manipulação emocional da vítima.
A proliferação de ferramentas de IA baratas e acessíveis no mercado clandestino permite que criminosos criem identidades falsas e burlem verificações biométricas em minutos, utilizando, por exemplo, geradores de face por IA.
Em resposta, o setor financeiro tem buscado desenvolver mecanismos mais sofisticados para prevenir e detectar fraudes. A própria inteligência artificial surge como um instrumento capaz de aprimorar a segurança bancária, com bancos planejando adotar a IA na gestão de riscos de fraudes e crimes financeiros.
O Brasil também tem endurecido sua legislação. A sanção da Lei nº 15.397, em vigor desde 2026, reconheceu oficialmente que a fraude digital opera em escala industrial, ampliando as punições para crimes eletrônicos e o uso de dispositivos digitais em atividades ilícitas.
Como se Proteger de Golpes com IA
Especialistas em segurança e instituições financeiras recomendam uma série de precauções para evitar cair nesses golpes:
- Desconfie de ofertas mirabolantes: Promessas de altos rendimentos diários ou ganhos garantidos são um forte sinal de fraude.
- Verifique a fonte: Sempre confirme a identidade de quem oferece investimentos ou solicita transferências, preferencialmente por canais oficiais e não pelos links recebidos.
- Atenção a links e anexos: Nunca clique em links suspeitos ou baixe anexos de e-mails ou SMS não solicitados, mesmo que pareçam vir de fontes conhecidas. Digite o endereço diretamente no navegador ou acesse pelo aplicativo oficial.
- Ative a verificação em duas etapas: Utilize este recurso em todas as suas contas (banco, e-mail, WhatsApp), pois dificulta o acesso de terceiros mesmo que consigam sua senha.
- Cuidado com a exposição digital: Quanto mais vídeos e áudios seus estão disponíveis publicamente na internet, mais material a IA tem para simular sua voz e imagem.
- Não ceda à pressão: Golpes frequentemente criam um senso de urgência. Não tome decisões apressadas e sempre verifique os fatos com calma.
- Acione o banco: Caso suspeite ter sido vítima de um golpe, contate imediatamente seu banco. As instituições devem guiar o cliente no processo de contestação e apuração.
A combinação de vigilância individual e o contínuo aprimoramento das defesas tecnológicas e legais são essenciais para combater a crescente onda de fraudes digitais impulsionadas pela inteligência artificial.
