Unitree G1: Robô Humanoide de R$ 88 Mil Lidera Vendas e Mira IPO em Xangai

O mercado global de robôs humanoides testemunha um avanço significativo com a ascensão da chinesa Unitree, cuja máquina, o G1, custa cerca de R$ 88 mil (aproximadamente US$ 16 mil) e se posiciona como o robô mais vendido do mundo em unidades. Além de sua acessibilidade e popularidade, a empresa se prepara para um ambicioso IPO (Oferta Pública Inicial) na Bolsa de Valores de Xangai, marcando um novo capítulo na corrida pela automação e inteligência artificial.
A Unitree, com sede em Hangzhou, China, consolidou sua liderança no setor ao entregar mais de 5.500 robôs em 2025, capturando cerca de 32,4% do mercado global de humanoides, conforme prospecto da própria companhia. Este volume de vendas supera significativamente concorrentes e destaca a estratégia chinesa de preços agressivos e produção em larga escala.
A Jornada do G1 e a Ambição de Mercado
Em novembro de 2025, o robô humanoide G1, com 1,3 metro de altura, fez uma aparição notável no salão da Bolsa de Valores de Nova York, um movimento que a própria Unitree descreveu como um prenúncio de sua intenção de ingressar, de fato, no mercado de ações. Este evento simbólico sublinhou a crescente integração da robótica avançada com o cenário financeiro global.
O preço de R$ 88 mil, que o torna um dos humanoides mais acessíveis do mercado, é um fator crucial para a sua ampla adoção, especialmente para fins de pesquisa, desenvolvimento e até mesmo para entusiastas da tecnologia. Embora o modelo G1 seja o que se alinha com o valor de R$ 88 mil, a Unitree também possui o modelo R1, que é ainda mais acessível, custando cerca de US$ 5,9 mil. A estratégia da Unitree de tornar seus robôs mais disponíveis em plataformas de e-commerce, como o AliExpress, tem sido fundamental para expandir sua presença global.
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IPO em Xangai: Um Marco para a Robótica
O grande passo da Unitree rumo ao mercado financeiro é seu plano de abrir capital na Bolsa de Xangai. A empresa já recebeu o aval regulatório e pode estrear ainda no final de julho de 2026. Esta será a primeira grande oferta pública inicial de uma companhia dedicada exclusivamente à tecnologia de robôs humanoides, um marco para o setor.
A Unitree pretende levantar aproximadamente 4,2 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 620 milhões, com a venda de uma fatia mínima de 10% de suas ações. Isso implicaria um valor de mercado em torno de US$ 6 bilhões. Os recursos obtidos com o IPO serão direcionados para pesquisa, desenvolvimento e expansão da capacidade de fabricação, visando impulsionar ainda mais a inovação e a produção em massa de seus humanoides.
O Diferencial da Lucratividade
Um dos aspectos que distingue a Unitree da maioria de suas rivais no setor de robótica é sua lucratividade. Fundada em 2016, a empresa registrou seu primeiro ano lucrativo em 2025, com um lucro líquido ajustado de aproximadamente US$ 90 milhões, um aumento de 674% em relação ao ano anterior. A receita da companhia em 2025 foi de cerca de US$ 250 milhões, mais que o triplo do faturamento de 2024. Essa solidez financeira a coloca em uma posição vantajosa para atrair investidores e sustentar seu crescimento.
Cenário Global e Concorrência
A dominância chinesa no mercado de robôs humanoides é evidente. O país foi responsável por nove em cada dez robôs vendidos globalmente em 2025, impulsionado por uma cadeia de suprimentos integrada e uma forte indústria de carros elétricos que facilita a produção de componentes. A AgiBot, outra empresa chinesa, ocupa a segunda posição em remessas, com 5.168 robôs entregues no mesmo ano.
Enquanto a Unitree foca em robôs de desempenho e acessibilidade, outras empresas também buscam seu espaço. A UBTech, por exemplo, lançou recentemente o U1, um robô humanoide ultrarrealista com pele de silicone e inteligência artificial emocional, com preços que partem de cerca de R$ 90 mil e chegam a R$ 750 mil para versões mais sofisticadas. A UBTech também é notável por ser a primeira fabricante de robôs humanoides de capital aberto do mundo, listada na bolsa.
Nos Estados Unidos, empresas como a Agility Robotics, fabricante do robô Digit, também planejam uma listagem em Wall Street por meio de uma fusão SPAC, avaliando a empresa em US$ 2,5 bilhões. A Agility Robotics tem o apoio de gigantes como Amazon, Nvidia, SoftBank e Foxconn, e seu robô Digit é o primeiro humanoide comercialmente utilizado em armazéns e instalações industriais. A Tesla, com seu projeto Optimus Gen2, ainda aguarda o início das vendas ao público geral, previsto apenas para 2027.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
A corrida pelos IPOs no setor de robôs humanoides reflete a crescente confiança dos investidores no potencial de mercado dessa tecnologia. A transição de robôs de laboratórios para fábricas e, futuramente, para o uso doméstico e de serviços, é uma tendência clara. Estimativas do Morgan Stanley indicam que o mercado chinês de robôs humanoides poderá movimentar cerca de US$ 15 bilhões até 2030, impulsionado pela demanda em áreas como cuidados, atendimento e companhia.
A capacidade de produção em larga escala e a redução de custos, como demonstrado pela Unitree, são fatores-chave para a popularização desses dispositivos. Com investimentos em P&D e a expansão da fabricação, a expectativa é que os robôs humanoides se tornem cada vez mais presentes em diversas esferas da vida, desde a automação industrial até a assistência pessoal. A entrada de empresas de robótica nas bolsas de valores sinaliza uma maturidade do setor e a busca por capital para acelerar essa revolução tecnológica.
