Vendas de smartphones da Xiaomi caem 19% no 1º trimestre de 2026 por escassez de DRAM

As vendas de smartphones da Xiaomi registraram uma queda significativa no primeiro trimestre de 2026, com uma diminuição de 19% nas remessas e 18% na receita em comparação com o mesmo período do ano anterior. A principal causa apontada para essa retração é a persistente escassez global de chips de memória DRAM (Dynamic Random-Access Memory), que impacta diretamente a capacidade de produção e os custos da empresa.
Apesar de ter apresentado um crescimento robusto em períodos anteriores, a gigante chinesa enfrenta agora desafios consideráveis, especialmente em seus segmentos de entrada e intermediários, que são altamente sensíveis à volatilidade dos preços dos componentes.
Contexto da Retração no 1º Trimestre de 2026
O relatório mais recente da Counterpoint Research, divulgado em maio de 2026, revela que, embora a receita global do mercado de smartphones tenha subido 8% ano a ano, atingindo US$ 117 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a Xiaomi não conseguiu acompanhar essa tendência. A empresa viu suas remessas e receita encolherem quase um quinto, uma situação que contrasta com o desempenho de concorrentes diretos.
A escassez de DRAM tem sido um gargalo técnico crucial, afetando a produção e o custo de implantação de dispositivos mais acessíveis em diversas regiões globais, com a América Latina sendo uma notável exceção onde o desempenho permaneceu estável. As séries Redmi e POCO, que representam grande parte do volume de vendas da Xiaomi e dependem de configurações de memória de alta capacidade e custo-benefício, foram as mais afetadas.
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Desempenho da Xiaomi em Períodos Anteriores
É importante notar que a queda no primeiro trimestre de 2026 ocorre após um período de forte recuperação e crescimento para a Xiaomi. Em 2024, por exemplo, a empresa registrou um aumento de 15% nas remessas globais de smartphones, atingindo 168,6 milhões de unidades, impulsionada pelo sucesso na China e em mercados emergentes.
No primeiro trimestre de 2024, a Xiaomi teve um aumento de 27% na receita total e um salto de 100,8% no lucro líquido ajustado em comparação com o primeiro trimestre de 2023. As remessas de smartphones cresceram aproximadamente 34% ano a ano, totalizando 40,6 milhões de unidades, consolidando a posição da Xiaomi como a terceira maior fabricante global.
No primeiro trimestre de 2025, a empresa continuou a trajetória positiva, com um crescimento de 47% na receita total e o envio de 41,8 milhões de telefones. Estes dados mostram que a recente queda é um revés específico, impulsionado por fatores de mercado e cadeia de suprimentos, e não uma tendência de longo prazo.
Impacto no Mercado Global de Smartphones
O cenário global do mercado de smartphones no primeiro trimestre de 2026 mostra que outras grandes empresas lidaram com a crise de DRAM de maneiras diferentes. A Apple, por exemplo, manteve sua liderança com uma fatia de 48% da receita, graças às vendas robustas do iPhone 17 e iPhone 17 Pro Max, conseguindo absorver as pressões de custo e aumentar seu preço médio de venda (ASP) em 11% ano a ano.
A Samsung, por sua vez, garantiu o segundo lugar em receita e remessas, mantendo seus números de remessa estáveis ano a ano, mas impulsionando a receita total em 4% com um aumento de 4% no ASP. A Xiaomi, com sua forte presença nos segmentos de entrada e intermediário, é mais vulnerável à escassez de componentes e ao aumento de preços, o que explica a disparidade em seu desempenho em relação aos concorrentes.
Desdobramentos e Estratégias Futuras
A Xiaomi tem investido em diversificação, incluindo seu bem-sucedido lançamento no mercado de veículos elétricos (EV) com o modelo SU7 em 2024. Embora o foco principal da notícia seja o desempenho dos smartphones, a incursão em novos segmentos demonstra a busca da empresa por múltiplas fontes de receita e inovação.
A empresa também tem se concentrado na estratégia de “premiumização” de seus smartphones, com modelos de alto padrão representando uma parcela crescente de suas remessas. No entanto, a recente queda no segmento de smartphones de baixo e médio custo, devido à DRAM, exige uma reavaliação das estratégias de cadeia de suprimentos e precificação para mitigar futuros impactos.
Analistas do setor preveem que o mercado global de smartphones continuará a crescer em 2025 e nos anos seguintes, impulsionado pela demanda por dispositivos ricos em recursos e acessíveis, avanços na conectividade 5G e a crescente dependência digital. A capacidade da Xiaomi de navegar pela atual crise de componentes e ajustar sua estratégia será crucial para seu desempenho nos próximos trimestres.
