Veto da China: Manus volta a ser independente após Meta desistir de compra

A startup de inteligência artificial (IA) Manus anunciou que retomará suas operações como empresa independente, após a Meta Platforms Inc. (controladora do Facebook) ser forçada a desistir de sua aquisição de US$ 2 bilhões pela intervenção regulatória da China. A decisão do governo chinês, que ocorreu em abril de 2026, destaca a crescente rivalidade tecnológica entre Washington e Pequim e as preocupações de segurança nacional em torno da tecnologia de IA.
Em comunicado divulgado na terça-feira, 11 de agosto de 2026, a Manus informou aos seus usuários que a medida faz parte do processo de separação da Meta e é necessária para cumprir as exigências regulatórias em diversas partes do mundo. Como consequência direta, alguns dados de usuários gerados a partir de 29 de dezembro de 2025 — data em que o acordo de aquisição da Meta foi finalizado — serão excluídos entre 23 e 24 de agosto de 2026. A empresa orientou os usuários afetados a fazerem backup de suas informações até 23 de agosto.
A Aquisição Bloqueada e a Tecnologia da Manus
A Meta havia concordado em adquirir a Manus em dezembro de 2025, em um negócio avaliado em aproximadamente US$ 2 bilhões. A Manus, fundada na China em 2022 e com sede em Singapura desde 2025, é especializada em agentes de IA autônomos, que são softwares capazes de executar tarefas complexas sem intervenção humana. A Meta pretendia integrar essa capacidade em seus produtos, incluindo o WhatsApp Business, para permitir que a IA lidasse com transações de clientes de ponta a ponta e solicitações de serviço complexas.
A tecnologia da Manus era vista como um diferencial importante para a Meta em sua estratégia de IA, visando a transição de IA generativa passiva para sistemas “agentic” autônomos. Esses agentes podem decompor metas de alto nível em subtarefas e utilizar ferramentas de software externas para completar ações, oferecendo um potencial de automação muito maior do que chatbots reativos.
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O Veto Chinês e as Razões por Trás
Em abril de 2026, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) da China, principal órgão de planejamento econômico do país, proibiu a aquisição e exigiu que as partes envolvidas retirassem a transação. A decisão foi justificada por preocupações de segurança nacional e faz parte de uma política mais ampla de Pequim para controlar investimentos estrangeiros em empresas de tecnologia domésticas, especialmente no setor de IA.
Apesar de a Manus ter transferido sua sede para Singapura, as autoridades chinesas consideraram que a empresa ainda tinha raízes chinesas e, portanto, estava sujeita à sua jurisdição. Essa prática, conhecida como “Singapore-washing” (onde empresas se mudam para Singapura para evitar o escrutínio regulatório), tem sido cada vez mais combatida por Pequim. A intervenção tardia do governo chinês, após o fechamento inicial do acordo, gerou alarme entre fundadores de tecnologia e investidores de risco, que agora reavaliam a viabilidade de tais estratégias.
Desdobramentos e Futuro da Manus
A separação da Meta tem sido um processo complexo, com a Meta cortando o acesso da equipe da Manus aos seus sistemas internos e proibindo seus próprios funcionários de usar as ferramentas da Manus. Relatos indicam que os cofundadores da Manus, incluindo Xiao Hong, Ji Yichao e Zhang Tao, estão explorando a possibilidade de levantar cerca de US$ 1 bilhão para recomprar a empresa.
Além disso, a gigante chinesa de tecnologia Tencent Holdings estaria em negociações para se tornar a maior acionista externa da Manus, sinalizando um realinhamento estratégico e o interesse contínuo na tecnologia de agentes de IA da startup.
Impacto para Usuários: Exclusão de Dados
A Manus alertou que, para cumprir as exigências regulatórias, os dados gerados por “certos usuários” a partir de 29 de dezembro de 2025 serão excluídos. A empresa informou que os usuários afetados serão notificados via aplicativo e e-mail e terão até 7h59 (horário de Singapura) do dia 23 de agosto de 2026 para fazer o download de seus dados. A restauração dos dados baixados será possível a partir das 8h00 (horário de Singapura) de 25 de agosto.
A empresa garantiu que não cobrará os usuários afetados durante o período de backup e oferecerá bônus não especificados após a restauração dos dados. Dados criados antes da aquisição da Meta não serão afetados.
Contexto da Rivalidade Tecnológica
O veto chinês à aquisição da Manus pela Meta é um exemplo claro da intensificação da competição global por supremacia em inteligência artificial entre os Estados Unidos e a China. Pequim tem demonstrado uma postura cada vez mais protetora em relação à sua tecnologia e talentos em IA, implementando controles de exportação de tecnologia mais rígidos para negócios transfronteiriços.
A decisão da NDRC sinaliza que a incorporação offshore não isenta empresas com origem chinesa do escrutínio de Pequim, especialmente em setores considerados estratégicos. Enquanto isso, a Meta continua sua agressiva expansão em IA, lançando seus próprios agentes de codificação e competindo com rivais como Google, Anthropic e OpenAI, buscando fortalecer suas capacidades em um mercado em rápida evolução.
