Xiaomi corta empregos após forte queda de lucro e receita no 1º tri de 2026

A Xiaomi, gigante chinesa de tecnologia, anunciou cortes de empregos em diversas de suas divisões após registrar uma significativa queda no lucro e na receita durante o primeiro trimestre de 2026. A empresa enfrenta um cenário desafiador, marcado pelo aumento dos custos de componentes, demanda global enfraquecida e forte concorrência no mercado de smartphones.
Os resultados financeiros divulgados em maio de 2026 revelaram que o lucro líquido ajustado da Xiaomi despencou 43,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo 6,1 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 899 milhões). A receita total da companhia também sofreu uma retração de 11% ano a ano, somando 99,1 bilhões de yuans (cerca de US$ 14,6 bilhões).
Desempenho Financeiro Detalhado do 1º Trimestre de 2026
O setor de smartphones, principal motor de receita da Xiaomi, foi um dos mais atingidos. As remessas globais de smartphones caíram 19%, totalizando 33,8 milhões de unidades no primeiro trimestre de 2026. Consequentemente, a receita do segmento de smartphones recuou 12,5%, para 44,3 bilhões de yuans. Apesar da queda, a Xiaomi conseguiu manter sua posição entre as três maiores fabricantes globais de smartphones pelo 23º trimestre consecutivo.
Outros segmentos também sentiram o impacto. Embora a receita do setor de veículos elétricos (EVs), inteligência artificial (IA) e novas iniciativas tenha crescido 6,9%, alcançando 19,9 bilhões de yuans, essa divisão registrou um prejuízo operacional de 3,1 bilhões de yuans no trimestre.
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Cortes de Empregos e Reestruturação
Os cortes de empregos na Xiaomi estão em andamento desde março de 2026 e afetam diversas áreas, incluindo equipes de smartphones, veículos elétricos, serviços de internet e operações internacionais. Fontes internas indicam que a gestão solicitou listas de demissões com metas iniciais de até 30% em algumas áreas, como parte de um esforço mais amplo para conter custos e otimizar operações. A medida reflete a pressão sobre a rentabilidade e a necessidade de reestruturação diante do cenário econômico adverso.
Fatores por Trás da Queda
Analistas e a própria Xiaomi apontam múltiplos fatores para o declínio financeiro:
- Aumento dos Custos de Chips de Memória: Os preços dos chips de memória e outros componentes essenciais para smartphones dispararam, elevando os custos de produção e corroendo as margens de lucro.
- Demanda Global Fraca: A demanda do consumidor por eletrônicos, especialmente smartphones, tem se mostrado aquém das expectativas, impactada pela inflação global e incertezas econômicas.
- Concorrência Aciirrada: O mercado de tecnologia, em particular o de smartphones, permanece altamente competitivo, com empresas disputando fatias de mercado em um ambiente de menor crescimento.
- Investimentos em Novos Negócios: Os pesados investimentos da Xiaomi em veículos elétricos e inteligência artificial, embora estratégicos para o futuro, ainda estão em fase de desenvolvimento e geram perdas operacionais significativas no curto prazo.
Perspectivas e Estratégias Futuras
Apesar dos desafios, a Xiaomi mantém o compromisso com sua estratégia de longo prazo, que inclui a aposta em tecnologias inovadoras como EVs e IA, e a expansão do ecossistema “Human × Car × Home”. A empresa também busca otimizar seu portfólio de smartphones, focando em produtos de maior valor agregado para melhorar as margens. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) aumentaram 33,4% ano a ano no primeiro trimestre, totalizando 9 bilhões de yuans, evidenciando o foco contínuo em inovação.
A companhia também anunciou um programa de recompra de ações de até 20 bilhões de HKD (aproximadamente US$ 2,55 bilhões), buscando sinalizar confiança aos investidores e sustentar o valor das ações em meio à volatilidade do mercado.
