Xiaomi Sofre Maior Queda de Vendas no Q2 2026, Receita Cai 17%

A Xiaomi registrou uma significativa retração em seu desempenho no segundo trimestre de 2026, com uma queda de 26% nas remessas de smartphones em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa enviou 31,2 milhões de unidades, marcando o segundo trimestre consecutivo de declínio. Paralelamente, a receita da Xiaomi recuou 17%, em um cenário global de mercado de smartphones desafiador, mas com tendências polarizadas.
Cenário Global e o Impacto dos Custos de Memória
A retração da Xiaomi ocorre em um contexto de declínio geral nas remessas globais de smartphones, que caíram 6% ano a ano no segundo trimestre de 2026, totalizando 272 milhões de unidades. No entanto, o mercado apresentou um aumento de 7% na receita global, atingindo um recorde de US$ 109 bilhões, impulsionado por preços mais altos dos dispositivos e uma crescente demanda por smartphones premium. O preço médio de venda (ASP) subiu 17% ano a ano, chegando a US$ 400.
A principal razão para a queda nas remessas e na receita da Xiaomi, e do mercado em geral, é o aumento persistente dos custos de memória (DRAM e NAND). Os fornecedores de memória têm priorizado a demanda de data centers de IA, elevando os custos de componentes para fabricantes de smartphones.
Exposição da Xiaomi ao Segmento de Entrada
A Xiaomi foi particularmente afetada por essa inflação nos custos de memória devido à sua forte presença no segmento de entrada. Mais da metade de suas remessas são de dispositivos com preços abaixo de US$ 200, especialmente em mercados emergentes na Ásia-Pacífico e América Latina. O aumento dos preços nesses segmentos de baixo custo pesou fortemente sobre a demanda, levando os consumidores a adiar compras ou estender os ciclos de substituição de seus aparelhos.
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Desempenho dos Concorrentes e Estratégias de Mercado
Enquanto a Xiaomi e outras marcas chinesas enfrentaram quedas significativas, Samsung e Apple conseguiram crescer no Q2 2026. A Samsung manteve a liderança de mercado com 60,5 milhões de unidades enviadas, um aumento de 5% ano a ano, e 22% de participação. A Apple teve seu segundo trimestre mais forte da história, com 55,1 milhões de unidades e um crescimento de 23% ano a ano, alcançando 20% de participação de mercado.
O sucesso de Samsung e Apple é atribuído a diferentes fatores: a Samsung se beneficiou de seu negócio de memória verticalmente integrado, que ajudou a gerenciar a escassez de componentes, e do forte desempenho de suas séries Galaxy A e S26. A Apple, por sua vez, viu forte demanda por seus modelos premium da série iPhone 17 e manteve os preços relativamente estáveis, absorvendo parte dos custos mais altos de componentes.
Outras grandes marcas chinesas também registraram declínios de dois dígitos: a OPPO (incluindo realme e OnePlus) teve uma queda de 17% nas remessas, enquanto a Vivo recuou 18%.
Perspectivas e Desdobramentos Futuros
Analistas do setor indicam que os custos elevados dos componentes continuarão a pressionar o mercado de smartphones durante o restante de 2026. Uma recuperação generalizada do volume de remessas é improvável até que os custos de memória diminuam.
Diante desse cenário, espera-se que os fabricantes de smartphones foquem em estratégias para melhorar a acessibilidade e a lucratividade, como:
- Aceleração de financiamento de dispositivos.
- Expansão de programas de troca (trade-in).
- Ofertas de pacotes (bundled offerings).
- Crescimento da receita de serviços.
A Xiaomi, que já havia registrado uma queda na margem bruta de seu negócio de smartphones para 10,1% no Q1 2026 ao absorver parte dos custos de memória, continuará a buscar um equilíbrio entre volume e lucro por meio de otimizações de portfólio e software. A empresa também está explorando novos segmentos, como veículos elétricos, embora este negócio também apresente desafios de margem e concorrência acirrada.
