Documentário revela a versão de Uncharted 4 que a Sony quase cancelou

Um novo e extenso documentário trouxe à luz detalhes inéditos da versão original de Uncharted 4: A Thief’s End, desenvolvida sob a direção criativa de Amy Hennig, que esteve à beira do cancelamento pela Sony antes de ser drasticamente reformulada. A revelação coincide com o décimo aniversário do aclamado título da Naughty Dog, reacendendo o interesse sobre os turbulentos bastidores de sua produção.
A Versão “Cancelada” de Uncharted 4
O termo “Uncharted 4 cancelado” não se refere ao jogo que chegou às prateleiras em 2016, mas sim à sua concepção inicial. Antes de se tornar o sucesso que os fãs conhecem, o projeto passou por uma fase de desenvolvimento conturbada. Liderada pela veterana Amy Hennig, responsável pelos três primeiros jogos da série, a equipe da Naughty Dog trabalhou em uma visão para o quarto capítulo que, eventualmente, seria quase inteiramente descartada.
Em 2014, Hennig deixou a Naughty Dog, e a direção do projeto foi assumida por Neil Druckmann e Bruce Straley, dupla conhecida pelo sucesso de The Last of Us. Com a mudança de liderança, uma reestruturação profunda da narrativa e da jogabilidade foi implementada.
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Sony Ameaçou Cortar Financiamento
As dificuldades no desenvolvimento não se limitaram a divergências criativas. Gabriel Betancourt, um ex-desenvolvedor da Naughty Dog, revelou em uma entrevista que a Sony, em um momento crítico, ameaçou cortar o financiamento de Uncharted 4. Segundo Betancourt, uma versão inicial do jogo foi avaliada internamente como “péssima” e não atendia aos padrões de qualidade esperados para um título da Naughty Dog.
A avaliação negativa gerou um ultimato da corporação: o projeto precisava ser corrigido ou teria seu financiamento interrompido. Essa pressão resultou na remoção da direção original e na entrada de Druckmann e Straley, que tiveram a tarefa de “salvar” o jogo, refazendo grande parte do trabalho já realizado.
Detalhes da Visão Original de Amy Hennig
O recente documentário, criado pelo youtuber Thekempy (Michael Kemp), oferece um olhar sem precedentes sobre a versão de Amy Hennig. Utilizando arte conceitual, trechos de jogabilidade não finalizados e sequências de captura de movimento com atores, o vídeo detalha as diferenças significativas em relação ao produto final.
- Enredo e Personagens: Embora a premissa de buscar o tesouro de Henry Avery com o retorno do irmão de Nathan Drake, Sam, fosse similar, a dinâmica dos personagens era distinta. Sam Drake, por exemplo, teria um papel mais ambíguo e potencialmente vilanesco.
- Elenco: A versão de Hennig contava com Alan Tudyk no papel do antagonista Rafe Adler e Todd Stashwick como Sam Drake, ambos substituídos por Warren Kole e Troy Baker, respectivamente, após a reformulação. O personagem Charlie Cutter também teria um papel mais proeminente, sendo posteriormente cortado.
- Jogabilidade: Elementos de exploração com veículos seriam mais expandidos, e o combate corpo a corpo teria um foco maior, visando retratar um Nathan Drake mais maduro e menos dependente de tiroteios constantes.
- Tom Narrativo: A proposta inicial de Hennig era um jogo mais leve e consistente com o tom de aventura dos títulos anteriores, contrastando com a abordagem mais sombria e emocionalmente densa adotada por Druckmann e Straley, que se inspiraram em The Last of Us.
O Sucesso Pós-Reboot e o Legado
Apesar do desenvolvimento tumultuado, a versão final de Uncharted 4: A Thief’s End, lançada em 10 de maio de 2016, foi um estrondoso sucesso de crítica e público. O jogo vendeu milhões de cópias e é amplamente considerado um dos melhores títulos da PlayStation 4, marcando um final emocionante para a saga de Nathan Drake.
O documentário de Thekempy, que surgiu em meio às celebrações do décimo aniversário do jogo, oferece uma fascinante perspectiva sobre o processo criativo e os desafios enfrentados pela Naughty Dog. Ele permite aos fãs vislumbrar um “Uncharted 4” de uma dimensão alternativa e entender a complexidade por trás da criação de um dos títulos mais icônicos da última década.
