Amazon Cancela Ranking de Uso de IA Após Funcionários Inflarem Métricas

A Amazon desativou um ranking interno que monitorava o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) pelos funcionários, conhecido como Kirorank. A decisão veio após a constatação de que trabalhadores estavam manipulando as métricas e realizando atividades desnecessárias com IA, o que resultou em um aumento significativo dos custos de computação da empresa.
O Kirorank, que classificava os engenheiros com base em sua atividade na plataforma de desenvolvimento Kiro da Amazon, tinha como objetivo inicial incentivar a adoção de IA. No entanto, a iniciativa gerou um comportamento conhecido como ‘tokenmaxxing’, onde funcionários utilizavam agentes de IA para executar tarefas repetitivas e sem valor prático, apenas para elevar suas pontuações no ranking.
A Origem e o Propósito do Kirorank
Lançado internamente, o Kirorank foi criado por um grupo de funcionários da Amazon com a intenção de aumentar a conscientização e o uso de ferramentas de IA entre a força de trabalho. A meta era estimular a integração da inteligência artificial nas rotinas de trabalho, aproveitando as capacidades da plataforma Kiro da empresa.
O sistema funcionava como um placar de líderes, exibindo o desempenho dos colaboradores e incentivando uma competição saudável. A ideia era que, ao visualizar o uso da IA, os funcionários se sentiriam motivados a explorar e implementar a tecnologia em suas tarefas diárias.
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A Manipulação de Métricas e o ‘Tokenmaxxing’
O problema surgiu quando os funcionários descobriram brechas no sistema e começaram a gerar atividade de IA artificialmente. Em vez de usar a IA para resolver problemas reais ou inovar, eles programavam agentes autônomos para realizar tarefas inúteis em ciclos contínuos, consumindo grandes volumes de ‘tokens’ (unidades de dados processadas pelos modelos de IA).
Essa prática, apelidada de ‘tokenmaxxing’, inflava as métricas de uso sem gerar qualquer benefício prático para a empresa. Pelo contrário, o consumo desenfreado de tokens resultou em um aumento substancial nos custos de infraestrutura e computação da Amazon.
Relatos de funcionários indicam que alguns foram até mesmo pressionados pela gerência a aumentar seu uso de IA, levando-os a recorrer a essas táticas para melhorar suas posições no ranking.
A Posição da Amazon e os Desdobramentos
A Amazon confirmou a desativação do Kirorank no início de junho de 2026. Dave Treadwell, vice-presidente sênior da empresa, comunicou aos funcionários que, embora o ranking tenha sido criado com “boas intenções”, ele gerou custos adicionais e incentivou o uso de IA sem propósito.
Treadwell alertou os colaboradores: “Por favor, não usem IA apenas por usar. Usem IA para ajudar a resolver problemas de clientes, para ajudar a resolver problemas de negócios, para inovar.”
A empresa afirmou que o painel beta não era uma ferramenta formalmente aprovada e que sua descontinuação visa focar em implementações de IA que demonstrem resultados reais. O caso da Amazon destaca um desafio crescente no setor de tecnologia: como medir e incentivar a adoção de IA de forma eficaz, garantindo que a tecnologia seja usada para gerar valor real e não apenas para inflar métricas.
Outras grandes empresas de tecnologia também teriam enfrentado desafios semelhantes com a manipulação de métricas de uso de IA. A Amazon agora busca desenvolver novas métricas de avaliação que se concentrem na qualidade e no impacto do uso da IA, em vez da simples quantidade.
