BraZetsu: Malware Brasileiro com IA Vende Acessos por R$ 30

Um novo e sofisticado malware de origem brasileira, batizado de BraZetsu, está utilizando inteligência artificial (IA) para automatizar a invasão de computadores e comercializar acessos remotos a partir de R$ 30 no mercado clandestino. A descoberta, detalhada pela empresa de inteligência cibernética Group-IB, revela uma nova e preocupante faceta do cibercrime nacional, que transforma máquinas corporativas comprometidas em mercadorias para outros fraudadores.
Malware BraZetsu: Operação e Uso de Inteligência Artificial
O BraZetsu, cujo nome combina uma referência ao Brasil com o personagem de mangá Zetsu – conhecido por atuar nas sombras –, é atribuído ao grupo Exilware, formado por falantes nativos de português. Este malware, desenvolvido em Python, atua em sistemas Windows e funciona como um “kit mestre abrangente” para os chamados corretores de acesso inicial (Initial Access Brokers).
A grande inovação do BraZetsu reside no seu uso de inteligência artificial generativa. A IA é empregada tanto na elaboração do código malicioso quanto, crucialmente, na análise e triagem dos computadores infectados. O malware consegue avaliar as características do equipamento comprometido, identificar informações valiosas e priorizar sistemas que apresentam maior interesse para os criminosos. Entre os alvos prioritários estão arquivos de remessa bancária no padrão CNAB, certificados digitais e softwares de gestão financeira amplamente utilizados no Brasil, como TOTVS, SAP e Senior.
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Modelo de Negócio: Venda de Acessos no Mercado Clandestino
Após infectar um computador e coletar dados relevantes, o BraZetsu organiza essas informações em um catálogo dentro de uma loja virtual clandestina, conhecida como Infect Marketplace ou “Banco de Infects”. Neste ambiente, compradores interessados podem selecionar e adquirir o acesso remoto às máquinas comprometidas por valores que começam em R$ 30, o equivalente a aproximadamente US$ 5,80 em criptomoedas. Para consultar e comprar esses acessos, os interessados precisam pagar uma taxa mínima de adesão à plataforma.
Esse modelo permite que os corretores de acesso inicial invadam redes empresariais e revendam a entrada para outros grupos criminosos, que então assumem o controle para conduzir ataques mais complexos, como fraudes financeiras, roubo de dados ou implantação de ransomware, sem precisar romper as defesas iniciais.
Métodos de Infecção e Alvos
Os criminosos por trás do BraZetsu utilizam táticas de engenharia social para infectar as vítimas. As infecções ocorrem principalmente através de e-mails contendo falsas notificações de cobrança, intimações judiciais em PDF ou induzindo o download de arquivos que imitam instaladores legítimos de navegadores de internet. Os principais alvos são redes corporativas no Brasil, América Latina e Península Ibérica, com foco em sistemas que processam transações financeiras e dados sensíveis.
Desdobramentos e Alertas de Segurança
A investigação da Group-IB também indicou que a infraestrutura utilizada pelo BraZetsu possui ligações com o AgenteV2, outro malware brasileiro previamente identificado pela empresa de segurança Any Run. Ambos os códigos compartilham servidores e empregam técnicas de monitoramento em tempo real, permitindo que os atacantes observem a tela do computador infectado e ajam no momento em que a vítima acessa portais bancários para desviar recursos.
Especialistas em cibersegurança alertam para a crescente sofisticação dos ataques, impulsionada pelo uso de IA, que permite aos criminosos criar novas variações de vírus em um ritmo mais acelerado do que a capacidade das defesas tradicionais de se atualizarem. A proteção contra ameaças como o BraZetsu exige vigilância constante, educação dos usuários sobre phishing e a implementação de defesas preditivas capazes de reconhecer comportamentos suspeitos, além de soluções de segurança atualizadas.
