CEO da GM Aconselha Geração Z a Investir em Carreiras Técnicas para Altos Ganhos e IA
A CEO da General Motors (GM), Mary Barra, ofereceu um conselho estratégico à Geração Z para prosperar no mercado de trabalho em meio ao avanço da inteligência artificial (IA): focar em carreiras técnicas. A executiva destacou a crescente demanda por profissionais qualificados nessas áreas, que podem oferecer salários atrativos, chegando a US$ 90 mil anuais nos Estados Unidos.
A declaração de Barra, dada em entrevista à editora-chefe da Fortune, Alyson Shontell, repercutiu como um alerta para os jovens que buscam opções de carreira em um cenário de rápidas transformações impulsionadas pela tecnologia.
Escassez de Profissionais Técnicos e Oportunidades
Mary Barra enfatizou a escassez de mão de obra qualificada em profissões técnicas nos Estados Unidos, um fator que impulsiona os salários e a estabilidade nesses setores. Ela citou, em particular, a demanda por eletricistas, uma profissão que ganhou novo fôlego com a expansão dos centros de dados que sustentam a infraestrutura da inteligência artificial.
Segundo a CEO, a estimativa é que sejam necessários mais de 300 mil novos eletricistas ao longo da próxima década apenas para atender a essa demanda nos EUA, evidenciando um gargalo estrutural onde a formação técnica não acompanha o ritmo de crescimento do setor de tecnologia e energia.
A própria General Motors tem investido significativamente na área, com quase US$ 200 milhões destinados a ampliar e modernizar a formação em profissões técnicas com alta demanda, incluindo manufatura avançada, engenharia e assistência técnica.
A Trajetória de Mary Barra como Exemplo
A carreira de Mary Barra serve como um exemplo prático do potencial das profissões técnicas. Ela iniciou sua jornada na GM como inspetora de qualidade na linha de montagem da divisão Pontiac, por meio de um programa que combinava estudos e experiência profissional. Antes disso, Barra estudou no General Motors Institute, atualmente conhecido como Kettering University, uma instituição renomada focada em engenharia e gestão industrial.
Sua ascensão de uma base técnica para a liderança de uma das maiores montadoras do mundo reforça a mensagem de que o conhecimento prático e especializado é um diferencial valioso no mercado.
Geração Z e o Paradoxo da IA
A Geração Z, composta por indivíduos nascidos entre 1997 e 2012, está ingressando no mercado de trabalho em um período de intensa inovação tecnológica. Embora sejam nativos digitais e ávidos consumidores de tecnologia, incluindo a IA, essa geração também demonstra um crescente ceticismo e preocupação com o impacto da inteligência artificial em seus empregos.
Pesquisas indicam que, enquanto reconhecem a importância das habilidades relacionadas à IA para suas futuras carreiras, o entusiasmo com a tecnologia tem diminuído, e sentimentos negativos como o desconforto e o medo da substituição de funções operacionais e repetitivas são mais presentes.
Para Darwin Grein, CEO da Juntxs, o avanço acelerado da inteligência artificial expõe desafios que vão além da tecnologia, ressaltando a necessidade de investimentos no desenvolvimento humano e emocional das equipes, especialmente para a Geração Z que enfrenta uma pressão de performance inédita.
Cenário no Brasil
No Brasil, o cenário guarda semelhanças com o contexto norte-americano. A indústria nacional também enfrenta uma carência de profissionais técnicos, particularmente em áreas como elétrica, automação e manutenção industrial.
Entidades como a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Sebrae frequentemente apontam a falta de mão de obra técnica qualificada como um dos principais obstáculos ao crescimento das Pequenas e Médias Empresas (PMEs). A recomendação de Mary Barra, portanto, ressoa como um alerta para a urgência de investir em formação profissional no país, tanto por meio de políticas públicas quanto de iniciativas privadas.
A Geração Z brasileira, apesar de ser altamente educada e observar alguma melhora na renda, ainda lida com desafios como a informalidade e o desemprego elevados, o que torna a busca por qualificações em áreas de alta demanda ainda mais crucial.
