Clones Digitais por IA: Startup ‘O Conselho’ Lança Modelos de Freud e Aguiar
A startup brasileira O Conselho, liderada pelo empresário Arthur Farache, está prestes a revolucionar o mercado de conteúdo e serviços digitais com sua plataforma de inteligência artificial (IA) que cria clones digitais de influenciadores e especialistas. Com um investimento inicial de cerca de R$ 4 milhões, a empresa visa permitir que personalidades como o vencedor do BBB 22, Arthur Aguiar, e até mesmo figuras históricas como Sigmund Freud, possam interagir e gerar receita 24 horas por dia através de suas versões digitais.
O lançamento oficial da plataforma está previsto para ocorrer após a assinatura do décimo contrato com influenciadores, sendo que nove já foram fechados, incluindo o lutador Demian Maia.
A Tecnologia por Trás dos Clones Digitais
O Conselho desenvolveu uma plataforma de IA capaz de reproduzir não apenas a aparência, mas também a linguagem, o conhecimento e as características comportamentais de uma pessoa. A criação desses clones digitais vai além de simples chatbots que simulam respostas; ela envolve um processo aprofundado de análise.
Como os Clones São Construídos
- Coleta de Dados: A equipe reúne todo o conteúdo público produzido pela pessoa, como vídeos, áudios, posts e entrevistas.
- Análise Detalhada: Com base nesses dados, é montado um dossiê que inclui perfil psicológico, vícios de linguagem, aspirações e até uma análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças).
- Treinamento e Ajustes: O próprio influenciador ou especialista testa seu clone digital e participa ativamente dos ajustes, garantindo que a versão virtual se aproxime fielmente de sua maneira de falar e responder. No caso de Arthur Aguiar, o processo envolveu uma entrevista e horas de análise de seu material público para criar um manual que define o pensamento e as respostas do clone.
Essa abordagem visa criar uma “cognição estendida”, onde a mente da pessoa pode ser ampliada para o ambiente digital, democratizando o capital intelectual.
Casos de Uso e Potencial de Faturamento
A visão de Arthur Farache é que a IA permitirá quebrar serviços profissionais em unidades menores, economicamente inviáveis para uma pessoa, mas lucrativas para um clone digital. Por exemplo, um advogado pode ter seu clone prestando consultorias rápidas e acessíveis, ou um professor oferecendo aulas e tirando dúvidas 24 horas por dia.
De Influenciadores a Figuras Históricas
Além de nomes como Arthur Aguiar e Demian Maia, a startup negocia com uma variedade de criadores de nicho e profissionais. A exploração da imagem de figuras históricas, como Sigmund Freud, demonstra a ambição de monetizar o conhecimento e o legado de mentes brilhantes, tornando-os acessíveis para interações e aprendizado contínuo.
O objetivo é oferecer uma nova fonte de receita contínua, permitindo que os criadores de conteúdo e especialistas ampliem sua presença online sem a necessidade de disponibilidade constante.
O Cenário do Mercado de Clones Digitais no Brasil e no Mundo
A criação de clones digitais é uma das inovações mais impactantes da inteligência artificial, com avatares cada vez mais realistas e acessíveis graças à IA generativa. O Brasil, em particular, tem se destacado na adoção de “IA Clones” pessoais, com uma forte mentalidade inovadora e profissionais qualificados. Empresas já utilizam essa tecnologia para treinamentos internos, atendimento automatizado com rosto humano e produção de conteúdo em escala.
Relatórios indicam que o mercado global de “digital humans” movimentou cerca de US$ 34 bilhões em 2024, com projeções de alcançar US$ 50 bilhões em 2025 e ultrapassar US$ 218 bilhões até 2029. Essa ascensão reflete o surgimento de uma nova economia baseada em presença cognitiva digital, onde representações digitais participam ativamente do mercado.
Desafios e Perspectivas Futuras
Apesar do vasto potencial, a tecnologia de clones digitais levanta importantes discussões sobre ética, privacidade e regulamentação. O risco de deepfakes, roubo de identidade e uso indevido de imagem exige consentimento claro e políticas rigorosas de proteção de dados. A linha entre inovação e manipulação pode ser tênue, tornando a responsabilidade no uso da IA essencial.
Para O Conselho, a preocupação com a fidelidade e a integridade da personalidade clonada é central. A empresa busca garantir que o clone digital não emita opiniões ou informações que contradigam o perfil original da pessoa, estabelecendo um “manual” de conduta para cada versão digital.
A startup, que por enquanto não busca investidores externos e banca o desenvolvimento com capital próprio, representa um passo significativo na interação entre humanos e tecnologia, prometendo um futuro onde a identidade humana e a inteligência artificial caminham lado a lado.
