Coreia do Sul Lança IA Gratuita e Ilimitada para Todos os Cidadãos

A Coreia do Sul está na vanguarda da revolução da inteligência artificial (IA) ao se tornar o primeiro país a oferecer acesso gratuito e ilimitado a serviços de IA generativa para toda a sua população. O programa, batizado de “AI for All” (IA para Todos), inicia sua fase de testes em setembro de 2026, com o lançamento completo previsto para o final do ano. A iniciativa visa integrar a IA diretamente aos sistemas estatais, simplificando tarefas cotidianas e promovendo a soberania tecnológica do país.
Este ambicioso projeto sul-coreano busca democratizar o acesso à tecnologia, reduzir a dependência de plataformas estrangeiras e fortalecer a indústria doméstica de IA. O governo reservou cerca de 10 trilhões de wons (aproximadamente 6,2 bilhões de euros) para despesas relacionadas à IA em 2026, um valor três vezes superior ao do ano anterior, demonstrando o compromisso estratégico com a inteligência artificial.
Como o Programa “AI for All” Funcionará
O “AI for All” vai além de simples chatbots, oferecendo uma infraestrutura pública de IA conectada diretamente aos serviços do Estado. Os cidadãos poderão utilizar as plataformas para uma vasta gama de atividades, incluindo:
- Agendamento de consultas médicas: Facilitando o acesso à saúde.
- Busca por moradia: Auxiliando na pesquisa e aluguel de imóveis.
- Questões fiscais: Orientação sobre impostos e elegibilidade para apoios públicos.
- Conteúdo educativo: Recomendações personalizadas para crianças, direcionadas aos pais.
- Suporte a pequenas empresas: Cálculo de impostos e verificação de elegibilidade para subsídios.
Um dos principais diferenciais é a promessa de acesso gratuito e sem limites de utilização, eliminando as restrições de tokens ou mensagens frequentemente impostas por versões gratuitas de plataformas internacionais.
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Consórcios Tecnológicos e Infraestrutura
Para desenvolver e operar os serviços de IA, o governo sul-coreano selecionou três consórcios tecnológicos. Estes grupos são liderados pelas duas maiores operadoras de telecomunicações do país, SK Telecom e KT, e pela empresa responsável pela Kakao, uma das plataformas de consumo mais populares na Coreia do Sul.
O Estado sul-coreano também fornecerá parte da capacidade de computação necessária, distribuindo até 512 chips NVIDIA B200 entre os três consórcios. O Ministério da Ciência e das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) planeja assinar os acordos com os operadores ainda em setembro, avançando para os testes beta e o lançamento completo até o final do ano.
Foco na Soberania Tecnológica
A iniciativa “AI for All” possui uma lógica estratégica clara: fortalecer a indústria doméstica de IA e reduzir a dependência de ferramentas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos e da China. As regras do programa exigem que pelo menos 50% de todos os pedidos sejam processados por modelos de fundação certificados coreanos, e outros 30% por modelos desenvolvidos por outras empresas locais, elevando a utilização de tecnologia doméstica a 80%. O uso de modelos estrangeiros só será permitido em casos de necessidade justificada pelo ministério, e sem subsídio governamental.
A Coreia do Sul já é um mercado relevante para a IA generativa, com cerca de um quarto da população pagando por serviços de IA e mais de 20 milhões de pessoas utilizando ferramentas gratuitas, a maioria de plataformas estrangeiras como o ChatGPT. Este cenário cria um terreno fértil para o programa governamental, que busca redirecionar essa demanda para soluções nacionais integradas aos serviços públicos.
Desdobramentos e Impacto Esperado
O apoio do governo aos custos operacionais a nível nacional deverá começar em 2027, com as empresas contribuindo com fundos próprios e desenvolvendo outras fontes de receita no período inicial. A Coreia do Sul espera que o programa “AI for All” não apenas amplie o acesso da população à tecnologia, mas também impulsione a inovação e a competitividade de sua indústria de IA no cenário global.
A iniciativa sul-coreana posiciona o país como um pioneiro na abordagem da inteligência artificial como uma política pública de alcance nacional, uma experiência que pode influenciar outros países a considerar modelos semelhantes de democratização da IA.
