IA Industrial: Siemens Afirma que Mundo Físico é a Próxima Fronteira

A inteligência artificial (IA) encontra sua próxima grande fronteira de expansão no mundo físico, conforme declaração de Olympia Brikis, diretora global de pesquisa em IA Industrial da Siemens. Em entrevista à Bloomberg Línea, Brikis ressaltou que a natureza padronizada da linguagem industrial, predominantemente numérica, favorece a adoção e o desenvolvimento da IA nesse setor, superando desafios enfrentados por modelos de linguagem natural.
A visão da executiva posiciona a IA industrial como um campo com potencial mais abrangente do que os modelos focados em linguagem, como o ChatGPT, que dependem fortemente de idiomas específicos. Para Brikis, a engenharia e os dados do mundo real na indústria apresentam menos barreiras, pois os padrões utilizados são universais e menos suscetíveis a nuances linguísticas.
Por Que o Mundo Físico é a Próxima Fronteira para a IA?
Olympia Brikis, mestre em Ciências da Computação e consultora da Comissão Europeia para a área de IA, explicou que a maioria dos dados na indústria é composta por números, e as simulações dependem ainda menos de idioma do que a geração de imagens ou texto. Essa característica intrínseca do ambiente industrial simplifica a aplicação de algoritmos de IA, permitindo que as máquinas aprendam e otimizem suas ações de forma mais direta e eficiente.
A Siemens tem demonstrado um compromisso profundo com a aplicação da IA para resolver problemas do mundo real, desde a otimização de redes de energia até a manufatura avançada. A empresa vê a IA como uma força transformadora capaz de melhorar todos os aspectos do cotidiano de forma tangível.
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Iniciativas da Siemens e a Parceria com a NVIDIA
A Siemens está investindo pesadamente na área de IA industrial, com um aporte de 1 bilhão de euros anunciado no final de 2025. Um dos pilares dessa estratégia é a parceria com a NVIDIA, visando criar um sistema operacional de IA industrial para o mundo físico. Essa colaboração busca reinventar toda a cadeia de valor industrial, desde o design e engenharia até a manufatura, operações e cadeias de suprimentos.
Agentes de IA e Gêmeos Digitais
A empresa tem desenvolvido e lançado tecnologias inovadoras, como o Eigen Engineering Agent, um sistema capaz de planejar e executar tarefas de engenharia de automação industrial de forma autônoma. Este agente vai além da assistência, permitindo uma aceleração de até cinco vezes em tarefas comuns de engenharia, um aumento de até 80% na qualidade do sistema e uma melhoria de até 50% na eficiência da engenharia.
A integração de IA com gêmeos digitais é outra área crucial. Os gêmeos digitais são réplicas virtuais que simulam operações do mundo real com precisão física. A Siemens, em parceria com a NVIDIA, utiliza plataformas como o Digital Twin Composer para criar ambientes de metaverso industrial em escala, onde modelos de IA podem ser refinados e testados em um ambiente virtual antes de serem implementados no mundo físico.
Empresas como a PepsiCo já estão utilizando o Digital Twin Composer da Siemens, combinado com bibliotecas NVIDIA Omniverse e visão computacional, para recriar suas instalações de manufatura e armazéns em 3D de alta fidelidade. Isso permite simular e otimizar operações, identificando até 90% dos potenciais problemas antes de qualquer modificação física.
Aplicações e Impacto no Setor Industrial
A Siemens está aplicando a IA em diversas frentes para impulsionar a digitalização e a automação:
- Gerenciamento de Energia: Soluções como o Gridscale X, parte do Siemens Xcelerator, utilizam IA e gêmeos digitais para otimizar o planejamento, as operações e a manutenção de redes elétricas, visando o gerenciamento autônomo da rede.
- Automação de Fábricas: A fábrica de eletrônicos da Siemens em Erlangen, Alemanha, serve como um laboratório da Indústria 4.0, operando com mais de 100 algoritmos ativos que coordenam desde a visão computacional até a robótica inteligente. A empresa planeja inaugurar o primeiro site de produção totalmente gerenciado por IA em Erlangen ainda em 2026.
- Controle de Qualidade: O uso de reconhecimento de imagem e IA para avaliar a qualidade de produção e identificar defeitos melhora a eficiência e precisão dos sistemas de controle, reduzindo desperdícios e aumentando a competitividade.
- Manutenção Preditiva: A IA é parte integrante das estratégias de manutenção preditiva da Siemens, permitindo que as máquinas aprendam e otimizem suas ações através do aprendizado por reforço.
- Colaboração Humano-Máquina: O Siemens Industrial Copilot, um assistente de IA generativa, simplifica tarefas complexas como geração de código e diagnóstico de falhas, permitindo que engenheiros e operadores foquem em inovação.
Desafios e Perspectivas Futuras
Apesar do otimismo, a transição para a IA no mundo físico não é isenta de desafios. Aleksandar Djuranovic, Head de People Excellence da Siemens, aponta as mudanças culturais como um dos maiores obstáculos, destacando que a implementação não segue uma linha reta e exige constante reflexão e ajuste.
A escassez de mão de obra qualificada é outro problema que a Siemens busca endereçar, investindo em programas de capacitação interna e vendo a IA como uma ferramenta para expandir as capacidades humanas e preencher lacunas de talento.
Internacionalmente, a Siemens reconhece a China como um mercado-chave e líder global em IA industrial, com um ecossistema robusto e rápido avanço no desenvolvimento e adoção da tecnologia. No entanto, o CEO da Siemens, Roland Busch, já expressou preocupações de que as regulamentações de IA da União Europeia possam frear investimentos e inovações no continente.
A Siemens continua a expandir sua liderança em IA, com a nomeação de Vasi Philomin, ex-VP de IA Generativa da Amazon Web Services, como Vice-Presidente Executivo e Head de Dados e Inteligência Artificial, a partir de julho de 2025, para acelerar o desenvolvimento de um modelo fundamental de IA industrial. A empresa está na vanguarda da revolução da IA industrial, transformando a forma como as indústrias projetam, constroem e operam sistemas.
