Coreia do Sul e China Ampliam Investimento em IA e Chips

Coreia do Sul Anuncia Mega Investimento em IA e Semicondutores
A Coreia do Sul revelou um ambicioso plano de investimento multibilionário em inteligência artificial (IA) e semicondutores, visando consolidar sua posição como uma das principais potências tecnológicas globais. Em um anúncio recente, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, detalhou a iniciativa, que ele descreveu como os “Três Mega Projetos”, focados em semicondutores, centros de dados de IA e IA física (robótica e sistemas autônomos).
O investimento total previsto para os próximos anos pode ultrapassar 1,2 trilhão de dólares (aproximadamente 6,2 trilhões de reais), ou cerca de 880 bilhões de dólares, dependendo das fontes, o que representa mais de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) sul-coreano. Grandes corporações como Samsung Electronics e SK Hynix, líderes mundiais em chips de memória, prometem investir uma quantia combinada de 800 trilhões de wons (cerca de 518,5 bilhões de dólares) para estabelecer um segundo polo de produção de semicondutores na região sudoeste do país, complementando o cluster existente perto de Seul.
Além da fabricação de chips, o plano inclui um investimento de 550 trilhões de wons (aproximadamente 355 bilhões de dólares) até 2029 para construir grandes centros de dados de IA em todo o país, com a meta de atingir 18,4 gigawatts (GW) de capacidade até 2035. O governo sul-coreano apoiará a iniciativa fornecendo infraestrutura essencial, como energia, água e terrenos industriais, além de oferecer tarifas de eletricidade com desconto para os centros de dados de IA. O objetivo é transformar a Coreia do Sul em um centro global de produção de IA, acelerando a construção de um ecossistema industrial completo.
O presidente Lee Jae-myung enfatizou que a “velocidade é a única forma de sobreviver” na corrida global pela IA, e que o país deve garantir os elementos centrais da tecnologia mais rapidamente do que qualquer outra nação. A iniciativa também visa revitalizar economias regionais fora da área metropolitana de Seul, promovendo um crescimento mais equilibrado.
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Estratégia Chinesa para Liderança em IA
Paralelamente, a China mantém uma estratégia robusta e de longo prazo para alcançar a liderança global em inteligência artificial. O Partido Comunista Chinês (PCC) vê a IA como um ativo estratégico para reforçar seu domínio e como uma ferramenta industrial transformadora.
A estratégia chinesa, delineada em seu Plano Nacional de Desenvolvimento de IA de 2017, prioriza a autossuficiência tecnológica, a criação de polos de inovação e a integração da IA em setores-chave como vigilância, saúde, manufatura e cidades inteligentes. O plano estabelece metas ambiciosas: igualar os líderes globais em algumas aplicações de IA até 2020, fazer grandes avanços na teoria fundamental da IA até 2025 e alcançar o domínio total, tornando-se o principal centro de inovação em IA do mundo até 2030, com uma indústria avaliada em mais de 150 bilhões de dólares.
A China tem desenvolvido um ecossistema de IA verticalmente integrado, que coleta dados comportamentais, transacionais e biométricos de cidades inteligentes, plataformas sociais, sistemas de saúde e finanças, curando esses dados para modelagem e governança de IA. Além das aplicações civis, a estratégia chinesa também enfatiza a integração agressiva da IA em sistemas de comando e controle militar, armas autônomas e capacidades cibernéticas, considerando a tecnologia fundamental para a futura superioridade militar.
Potencial de Cooperação Bilateral em Meio à Competição
Apesar da intensa competição global e da rivalidade tecnológica, há um crescente reconhecimento do potencial de cooperação em IA entre China e Coreia do Sul. O embaixador chinês na Coreia do Sul, Dai Bing, e o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, destacaram a necessidade de expandir a colaboração em IA e produtos culturais para impulsionar o comércio bilateral.
Especialistas apontam que as forças de ambos os países são complementares. A Coreia do Sul se destaca em semicondutores avançados, algoritmos essenciais e pesquisa e desenvolvimento de ponta. Por outro lado, a China oferece vastos cenários de aplicação, um enorme mercado e um ecossistema industrial completo para a implantação de IA. Essa complementaridade cria um grande potencial para uma colaboração mutuamente benéfica, com um foco crescente na coordenação horizontal em vez da tradicional divisão vertical do trabalho.
Áreas potenciais de colaboração incluem toda a cadeia industrial de IA, desde chips e treinamento de modelos de linguagem grandes até a construção de centros de dados e algoritmos de IA. Empresas de robótica de ambos os países já exploram projetos conjuntos e cooperação mais profunda em IA incorporada, buscando superar restrições da cadeia de suprimentos e silos de dados.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
A corrida por liderança em IA e semicondutores está redefinindo as relações econômicas e tecnológicas globais. Os investimentos massivos da Coreia do Sul, que incluem a construção de quatro novas fábricas de chips pela Samsung e SK Hynix, e o desenvolvimento de robótica, são uma resposta direta à demanda crescente por poder de computação e à competição acirrada com rivais como China, Taiwan e Estados Unidos.
Analistas do setor observam que o aumento exponencial na demanda por chips de IA já está impactando os custos de componentes, com empresas repassando esses aumentos aos consumidores. No entanto, também surgem questionamentos sobre a sustentabilidade de retornos sobre investimentos tão astronômicos, levantando preocupações sobre uma possível bolha econômica.
A Coreia do Sul, com sua estratégia de “três eixos” (semicondutores, IA física e centros de dados de IA), busca não apenas manter sua vantagem tecnológica, mas também preparar o país para a próxima fase da competição tecnológica global. Ao mesmo tempo, a China continua a avançar em sua própria estratégia de IA, com o objetivo de se tornar o principal centro de inovação global até 2030.
A dinâmica entre competição e cooperação definirá o futuro da IA na Ásia e no mundo, com ambos os países buscando maximizar suas vantagens e explorar sinergias onde for possível, enquanto se preparam para um cenário tecnológico em constante evolução.
