Altman revela exigência de Musk por controle total da OpenAI em tribunal

Sam Altman, CEO da OpenAI, testemunhou em tribunal federal na terça-feira (12 de maio de 2026) que Elon Musk, cofundador da empresa, buscou controle absoluto sobre a companhia em 2017 e expressou o desejo de passar o comando para seus filhos em caso de falecimento. A revelação ocorreu durante o processo em que Musk acusa Altman e a OpenAI de traírem a missão original sem fins lucrativos da organização.
O depoimento de Altman, prestado em Oakland, Califórnia, marcou um ponto crucial na disputa judicial que já dura três semanas e pode redefinir o futuro da gigante da inteligência artificial.
A Conversa ‘Assustadora’ e a Disputa por Controle
Durante seu testemunho, Sam Altman descreveu um momento específico de 2017 como “particularmente assustador”. Questionado pelos cofundadores sobre o que aconteceria com a OpenAI caso ele morresse, Musk teria respondido: “Talvez eu devesse passar para meus filhos”. Altman afirmou que se sentiu “extremamente desconfortável” com a insistência de Musk em ter controle majoritário, chegando a exigir 90% de participação em uma subsidiária com fins lucrativos que estava sendo considerada.
Altman negou veementemente as acusações de Musk de que ele e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, teriam “roubado uma instituição de caridade” ou traído o propósito original da empresa. Em vez disso, argumentou que foi Musk quem, antes de sua saída em 2018, propôs transformar a OpenAI em uma empresa comercial e queria estar no comando.
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Contexto do Processo Judicial
Elon Musk moveu a ação judicial em agosto de 2024, alegando que a OpenAI e seus líderes, Sam Altman e Greg Brockman, o enganaram e violaram o acordo fundacional de desenvolver inteligência artificial para o benefício da humanidade, não para lucro. Musk busca mais de US$ 150 bilhões em indenizações, a remoção de Altman e Brockman de seus cargos e a reversão da reestruturação para fins lucrativos da OpenAI.
A defesa da OpenAI, por sua vez, sustenta que Musk estava ciente dos planos de transição para um modelo de lucro limitado, necessário para captar investimentos e adquirir o poder computacional exigido para o desenvolvimento da IA. A empresa alega que a motivação de Musk para o processo é “ciúme, arrependimento por ter saído da OpenAI e o desejo de atrapalhar um concorrente” (sua própria empresa de IA, a xAI).
Contribuições Financeiras e Saída de Musk
Musk foi um dos cofundadores da OpenAI em 2015, inicialmente prometendo um investimento de US$ 1 bilhão. No entanto, Altman e outros cofundadores afirmam que ele contribuiu com cerca de US$ 38 milhões, principalmente através de aportes periódicos e do pagamento do aluguel do escritório. Segundo Altman, Musk teria desistido de investir mais na OpenAI porque “não iria mais investir em startups que não controlava”.
A saída de Musk da OpenAI em 2018 foi atribuída a divergências internas sobre o controle e o direcionamento da iniciativa.
Desdobramentos e Impacto Futuro
O julgamento, que ocorre no Tribunal Federal de Oakland, Califórnia, está em sua terceira semana. Espera-se que outros nomes proeminentes da indústria de tecnologia, como o CEO da Microsoft, Satya Nadella, e o cofundador da OpenAI, Ilya Sutskever, também testemunhem.
O resultado deste processo tem o potencial de impactar significativamente os planos da OpenAI para uma possível Oferta Pública Inicial (IPO), que poderia avaliar a empresa em cerca de US$ 850 bilhões a US$ 1 trilhão. A decisão da juíza Yvonne Gonzalez Rogers poderá redefinir o equilíbrio de poder na corrida global pela inteligência artificial.
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