Egito, potência BRICS, lança centro de IA para impulsionar startups

O Egito, uma das nações que compõem o bloco BRICS, inaugurou seu primeiro complexo regional de Inteligência Artificial (IA) e o primeiro do Norte da África, localizado no Cairo. A iniciativa visa impulsionar startups e acelerar a economia digital do país, marcando um passo significativo na estratégia dos BRICS para fortalecer seu ecossistema tecnológico e de inovação.
A estrutura foi concebida como um ecossistema completo, oferecendo infraestrutura tecnológica avançada, espaços de trabalho e centros de apoio para empresas inovadoras. Este movimento integra uma estratégia mais ampla de modernização econômica do Egito, que tem investido pesadamente em digitalização e infraestrutura tecnológica para aumentar sua competitividade global.
Apoio Abrangente para Startups e Inovação
O complexo no Cairo não se limita a um hub tecnológico; ele inclui um programa de longo prazo com a meta de apoiar até 100 startups focadas em inteligência artificial até 2030. Este suporte abrange treinamento especializado, aprimoramento da prontidão para investimentos e a conexão dos empreendedores a redes de inovação e mercados internacionais, ampliando suas oportunidades de expansão e competitividade.
A iniciativa busca atrair investimentos e criar um ambiente favorável ao crescimento de indústrias tecnológicas avançadas. Além disso, o complexo adota tecnologias de comunicação avançadas e soluções inteligentes para otimizar a eficiência operacional, proporcionando um ambiente de negócios flexível e alinhado com as rápidas transformações da economia digital global.
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Contexto BRICS e a Corrida Global por IA
O lançamento do centro egípcio reflete um esforço coordenado entre os países do BRICS para construir um ecossistema de IA soberano e reduzir a dependência de provedores de nuvem e modelos fundamentais ocidentais, que, segundo críticos, podem refletir vieses ocidentais.
Outras nações BRICS também estão ativamente envolvidas na corrida por tecnologia e IA. A China, por exemplo, tem o Centro de Inovação PartNIR do BRICS em Xiamen, focado em fortalecer clusters industriais e desenvolver indústrias emergentes e futuras. A Índia, outra potência do bloco, está acelerando a construção de data centers, com um investimento previsto de US$ 22 bilhões até 2030, para sustentar a IA e a economia digital.
O Brasil, por sua vez, sediou em 2025 o Fórum de Mídia e Think Tanks do BRICS, que lançou a “Iniciativa BRICS para Cooperação e Desenvolvimento em Inteligência Artificial (IA) para Mídias e Think Tanks”, com o objetivo de fortalecer a colaboração no campo da IA entre os países do Sul Global. Há também o Hub BRICS de Cooperação, que visa conectar atores do bloco para promover cooperações em ciência, tecnologia, inovação, educação e negócios, utilizando uma ferramenta de IA para facilitar a busca por oportunidades.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
A inteligência artificial deve movimentar trilhões de dólares nas próximas décadas, especialmente em regiões emergentes, e o Egito, com esta iniciativa, busca garantir um espaço relevante nesta nova economia desde cedo.
A estratégia dos BRICS, que destina US$ 22 bilhões a data centers e inclui o lançamento de supercomputadores para acelerar a produção científica, demonstra um compromisso coletivo com o avanço tecnológico. A cooperação entre os membros do bloco visa promover uma agenda de desenvolvimento tecnológico orientada à equidade, inclusão e ao fortalecimento do Sul Global, garantindo que os benefícios da inteligência artificial sejam amplamente distribuídos.
A Rússia também tem investido pesadamente em IA, com uma estratégia nacional que prioriza o desenvolvimento e implementação de agentes e serviços de IA para aumentar a eficiência e otimizar processos de negócios. O cenário geral aponta para uma colaboração crescente e investimentos substanciais em tecnologia e IA por parte dos BRICS, buscando moldar o futuro das economias emergentes.
