Instagram: Mosseri defende que IA não apareça para quem não gosta

Em um movimento para reforçar o controle do usuário sobre a experiência na plataforma, Adam Mosseri, chefe do Instagram, afirmou que o conteúdo gerado por inteligência artificial (IA) não deveria ser exibido para quem não demonstra interesse. A declaração foi feita durante uma entrevista ao podcast de Lenny Rachitsky, onde Mosseri detalhou a visão da Meta para a gestão de conteúdo de IA na rede social.
A proposta central é que o próprio algoritmo do Instagram seja aprimorado para identificar as preferências dos usuários, reduzindo proativamente a recomendação de vídeos e imagens geradas por IA para aqueles que não interagem com esse tipo de material.
Desafios na Detecção e Rotulagem de Conteúdo de IA
Mosseri reconhece que a crescente sofisticação dos modelos de linguagem torna a detecção de conteúdo gerado por IA cada vez mais difícil. Diante disso, o executivo sugeriu que o Instagram poderia adotar abordagens menos absolutas na rotulagem, utilizando indicações como “provavelmente sim”, “não temos certeza” ou “definitivamente não”, em vez de uma categorização binária.
Atualmente, o Instagram, assim como outras plataformas como YouTube e TikTok, já possui um sistema de sinalização para o uso de ferramentas generativas. Publicações que podem ter sido criadas por IA exibem uma indicação “Informações de IA”, que ao ser expandida, explica que o conteúdo “pode ter sido criado por IA”. Este sinal geralmente identifica conteúdo inteiramente gerado por IA, e não apenas modificado com a tecnologia.
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Ideias para a Gestão de Conteúdo Sintético
Durante o podcast, Mosseri apresentou algumas ideias para lidar com o volume e a natureza do conteúdo de IA. Uma delas seria criar um espaço separado para categorizar melhor materiais completamente gerados por IA, distinguindo-os de posts que apenas utilizaram ferramentas criativas de edição ou remix. Isso incluiria a separação de spam e montagens enganosas, do que ele chamou de “lixo de IA”, de conteúdo que recebeu auxílio de ferramentas criativas.
Outra ideia, defendida por Mosseri desde o final de 2025, é a certificação de conteúdos reais. O raciocínio é que pode ser mais prático certificar a origem de uma foto ou vídeo autêntico do que tentar provar o uso de IA em cada peça de conteúdo sintético.
Controle do Usuário e Personalização do Feed
Em linha com a visão de Mosseri, o Instagram tem expandido funcionalidades que oferecem maior controle aos usuários sobre o que veem em seus feeds. Em junho de 2026, a plataforma ampliou o recurso “Seu Algoritmo” para o feed principal, permitindo que os usuários visualizem e modifiquem os tópicos que impulsionam suas recomendações de conteúdo. Essa ferramenta, que utiliza grandes modelos de linguagem, traduz dados complexos de ranqueamento em categorias legíveis, possibilitando ajustes manuais de tópicos, humores e tipos de conteúdo.
Essa mudança representa um afastamento da era em que os feeds das redes sociais eram ditados por uma “caixa preta” algorítmica, buscando restaurar a agência e a transparência para o usuário.
Preocupações com a Autenticidade e o Cenário Atual
Mosseri já havia expressado preocupações sobre como a IA está erodindo a confiança em fotos e vídeos, argumentando que a autenticidade está se tornando um recurso escasso e que os criadores precisam focar em vozes originais e contexto para manter a confiança.
O debate sobre a IA no Instagram também se intensificou com o lançamento recente do “Muse Image” pela Meta. Essa ferramenta de IA permite que usuários gerem novas imagens a partir de fotos públicas de outros perfis do Instagram, bastando mencionar o nome de usuário. O recurso foi ativado por padrão para perfis públicos de maiores de 18 anos, sem notificação prévia aos proprietários das contas, gerando preocupações com privacidade e o uso indevido de imagens.
Para desativar o uso de suas fotos públicas pelo “Muse Image”, os usuários precisam acessar as configurações de privacidade do Instagram e revogar a autorização. Perfis privados e de menores de 18 anos são automaticamente excluídos do uso pela ferramenta.
Desdobramentos Futuros
A postura de Mosseri indica uma direção clara para o Instagram: oferecer aos usuários mais controle sobre a IA em seus feeds, ao mesmo tempo em que a plataforma busca soluções para os desafios de autenticidade e detecção de conteúdo sintético. A evolução das ferramentas de IA e a resposta da plataforma a essas tecnologias continuarão a ser um ponto central na experiência do usuário e na estratégia do Instagram para 2026 e além.
