Irã Afirma Ter Destruído Centro de Dados da Amazon no Bahrein

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã anunciou nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, ter destruído a principal infraestrutura de dados da Amazon Web Services (AWS) no Bahrein, utilizando mísseis de cruzeiro. A alegação, divulgada por veículos de comunicação estatais iranianos, surge como resposta a um suposto ataque americano a uma usina nuclear em construção no Irã.
No entanto, até o momento, não há confirmação independente sobre a destruição da instalação. Nem a Amazon, nem os governos do Bahrein ou dos Estados Unidos se manifestaram para corroborar ou desmentir a afirmação iraniana.
Contexto da Escalada de Tensão
O incidente ocorre em meio a uma significativa escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio, que já contabiliza dez dias consecutivos de confrontos diretos. A Guarda Revolucionária Islâmica declarou que o ataque foi uma retaliação à ofensiva americana que teria atingido instalações civis em construção na usina nuclear de Darkhovin, no sudoeste do Irã, na última segunda-feira.
O Bahrein, um dos principais aliados dos EUA na região, abriga importantes bases militares americanas. As tensões têm se intensificado, com Washington intensificando bombardeios contra alvos iranianos e Teerã alertando que responderia atacando instalações americanas em países aliados.
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Detalhes da Alegação Iraniana
Segundo o comunicado da IRGC, a Força Aeroespacial iraniana teria atingido e “destruído” a infraestrutura central de dados da Amazon no Bahrein com “vários mísseis de cruzeiro”. Além do centro de dados da Amazon, a Guarda Revolucionária afirmou ter atacado sistemas de defesa aérea e instalações de radar dos Estados Unidos nas áreas bareinitas de Muharraq e Riffa.
O uso de mísseis de cruzeiro contra uma infraestrutura de nuvem comercial, se confirmado, representaria uma nova fase na escalada do conflito, marcando a primeira vez que tal tipo de armamento é empregado contra instalações de tecnologia de uma gigante americana na região.
Resposta do Bahrein e Ausência de Confirmação
Autoridades do Bahrein confirmaram que sirenes de alerta foram acionadas durante a madrugada de terça-feira e que suas defesas aéreas interceptaram uma onda de ataques iranianos. No entanto, não houve relatos específicos de danos materiais à infraestrutura da Amazon ou a outras instalações.
A Amazon, por sua vez, não emitiu qualquer declaração oficial sobre o suposto ataque. O status do seu principal centro de dados na região do Oriente Médio (Bahrein), conhecido como ME-SOUTH-1, já havia sido impactado por conflitos anteriores. O AWS Health Dashboard indicava que a região estava “atualmente indisponível” entre o final de março e o início de abril, devido a interrupções e danos físicos causados por ataques de drones.
Histórico de Ataques a Infraestruturas da AWS
Esta não é a primeira vez que as instalações da Amazon Web Services na região são alvo de ataques. Desde março de 2026, a infraestrutura da AWS no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos foi atingida por ataques iranianos em pelo menos cinco ocasiões, sendo quatro delas no Bahrein.
Ataques anteriores, majoritariamente realizados por drones, causaram interrupções significativas nos serviços, danos estruturais e interrupções no fornecimento de energia. Em março, a Amazon confirmou que duas de suas instalações nos Emirados Árabes Unidos foram diretamente atingidas por drones, enquanto uma instalação no Bahrein sofreu impactos físicos devido a um ataque próximo. Esses incidentes resultaram em danos estruturais, interrupções de energia e degradação da disponibilidade de serviços como Amazon EC2, S3 e DynamoDB, afetando clientes em todo o Golfo.
A IRGC já havia listado grandes empresas de tecnologia americanas como alvos em retaliação ao que considera apoio às “operações terroristas EUA-Israel”. A repetição de ataques à infraestrutura da AWS demonstra uma estratégia iraniana de visar ativos comerciais americanos na região.
Desdobramentos e Impacto Regional
A ausência de confirmação independente da destruição do centro de dados da Amazon mantém a incerteza sobre a real extensão dos danos. No entanto, a alegação iraniana por si só eleva o nível de preocupação com a segurança da infraestrutura tecnológica crítica no Oriente Médio, especialmente para empresas globais que dependem da estabilidade regional para suas operações.
Além do Bahrein, a Guarda Revolucionária também anunciou novos ataques contra radares de alerta e de defesa antimísseis dos EUA no Kuwait e bases americanas na Jordânia, indicando uma ampliação dos alvos iranianos em resposta às ações dos EUA. O Kuwait, inclusive, acusou as forças iranianas de atacar usinas de energia e dessalinização, causando danos à infraestrutura civil.
A comunidade internacional aguarda por mais informações e por uma possível confirmação ou negação por parte da Amazon e das autoridades americanas e bareinitas para avaliar o impacto real deste último incidente em uma região já marcada por intensa instabilidade. A situação continua fluida, com empresas de tecnologia dos EUA enfrentando riscos crescentes em suas operações regionais.
