Meta: Zuckerberg liga demissões a IA e não descarta novos cortes

O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, atribuiu as recentes e futuras demissões em massa na empresa ao aumento substancial dos investimentos em inteligência artificial (IA), indicando que novos cortes de pessoal não estão descartados. As declarações foram feitas durante uma reunião interna com funcionários nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, onde ele explicou a necessidade de reequilibrar os custos operacionais da companhia.
Zuckerberg detalhou que a Meta possui dois grandes centros de custo: a infraestrutura de computação e os gastos relacionados a pessoas. Segundo o executivo, o direcionamento de mais capital para o avanço da IA significa uma redução na alocação para o segundo centro, justificando assim a necessidade de diminuir o tamanho da empresa.
Cortes de Pessoal e Impacto na Força de Trabalho
A Meta planeja cortar aproximadamente 10% de sua força de trabalho, o que equivale a cerca de 8.000 funcionários, com os desligamentos previstos para começar em 20 de maio de 2026.
- Rodadas Anteriores: A empresa já realizou demissões significativas em 2025 (cerca de 4.300 funcionários) e no início de 2026 (aproximadamente 1.700 trabalhadores).
- Justificativa da Eficiência: Embora Zuckerberg negue que a IA esteja substituindo diretamente os empregos, ele reconhece que as ferramentas de inteligência artificial permitem que as equipes trabalhem de forma mais eficiente e com menos pessoas, contribuindo indiretamente para a redução de postos de trabalho.
- Reestruturação: A Meta tem se reestruturado para ser uma empresa primeiramente de IA, e depois de redes sociais, eliminando níveis de gerência e automatizando funções administrativas.
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Investimento em IA e Desempenho Financeiro
O foco em IA se reflete nos planos de capital da Meta. A empresa aumentou sua projeção de gastos de capital para este ano, estimando entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, um aumento significativo em relação às projeções anteriores.
Apesar de um primeiro trimestre de 2026 com resultados financeiros robustos, superando as expectativas de Wall Street, com receita de US$ 56,3 bilhões (aumento de 33% ano a ano) e lucro líquido de US$ 26,7 bilhões (salto de 61%), as ações da Meta caíram cerca de 9% após o anúncio, devido à preocupação dos investidores com os crescentes gastos em IA.
A divisão Reality Labs, responsável por produtos como os headsets Quest e a plataforma Horizon Worlds, continua a registrar prejuízos operacionais, acumulando perdas bilionárias e passando por rodadas de demissões, refletindo os desafios em tornar o metaverso rentável no curto prazo.
Perspectivas Futuras e Indústria
Zuckerberg admitiu não ter uma “bola de cristal” para prever o futuro exato da empresa nos próximos três anos, mas enfatizou a avaliação contínua da estrutura e do tamanho ideal da força de trabalho.
A diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, reforçou que a empresa não pode prometer que não haverá mais demissões, citando a mudança de prioridades, a intensa concorrência e a gestão responsável dos custos. A diretora financeira, Susan Li, também indicou que a Meta ainda não sabe qual será o tamanho ideal de sua equipe no longo prazo.
Essa tendência de cortes e foco em IA não é exclusiva da Meta. Outras gigantes da tecnologia, como Amazon, Block e Snap, também anunciaram demissões e estão direcionando investimentos massivos para a inteligência artificial, buscando maior eficiência e rentabilidade através de algoritmos.
