Radares com IA chegam às rodovias federais: entenda a fiscalização inteligente

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciou um período de testes de 180 dias com sistemas de videomonitoramento e inteligência artificial (IA) para fiscalizar infrações de trânsito em rodovias federais brasileiras. A iniciativa, que visa aprimorar a segurança viária e coibir comportamentos de risco, já conta com equipamentos em operação em alguns estados e promete transformar a maneira como as infrações são detectadas.
Diferente dos radares tradicionais, que focam primariamente na velocidade, a nova tecnologia utiliza câmeras de alta resolução e IA para identificar até 82 tipos de infrações, desde o uso de celular ao volante e a falta do cinto de segurança até condutas como dirigir com apenas uma das mãos ou transportar crianças de forma inadequada.
Como funciona o sistema de radar com Inteligência Artificial?
O funcionamento dos radares com IA é baseado em um processo de detecção e validação. Câmeras com inteligência artificial integrada são instaladas em pontos estratégicos das rodovias. Esses equipamentos possuem resolução 4K e sensores infravermelhos, operando com precisão tanto de dia quanto de noite, e são capazes de monitorar veículos a velocidades de até 300 km/h, ignorando reflexos solares e baixa luminosidade.
A IA foi treinada por meio de machine learning para identificar padrões de comportamento dentro da cabine do veículo e na via. Quando uma possível infração é detectada, o sistema gera um alerta em tempo real e transmite as imagens e dados para os centros de comando da PRF ou centrais de videomonitoramento.
É crucial ressaltar que a inteligência artificial não aplica multas automaticamente. A autuação é uma etapa exclusivamente humana. Um agente da PRF analisa as imagens e os alertas gerados pela IA, verifica a consistência da infração e, somente após essa validação humana, a multa é registrada. Esse modelo garante a decisão humana como etapa obrigatória do processo, assegurando o direito à ampla defesa e corrigindo possíveis erros tecnológicos.
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Quais infrações a IA pode identificar?
A capacidade de detecção dos novos radares é vasta, cobrindo uma série de comportamentos de risco que antes dependiam da observação direta de um agente em campo. Entre as principais infrações que a IA consegue identificar estão:
- Uso de celular ao volante: Detecta o aparelho próximo ao rosto ou nas mãos do condutor.
- Falta do cinto de segurança: Verifica o uso do cinto por motoristas e passageiros, inclusive no banco traseiro.
- Postura inadequada do condutor: Identifica braços para fora do veículo ou não manter as duas mãos no volante (ex: consumo de chimarrão).
- Transporte irregular de crianças: Analisa se bebês e crianças estão nas cadeirinhas corretas ou indevidamente no banco dianteiro.
- Ultrapassagens proibidas: Monitora manobras irregulares.
- Trânsito pelo acostamento: Flagra veículos utilizando o acostamento de forma indevida.
- Recusa em dar passagem pela faixa da esquerda.
- Motociclistas sem capacete.
Implementação e Desdobramentos Atuais
A PRF anunciou que o período de testes dos novos radares terá duração de 180 dias, com início previsto para maio de 2026. Quatro empresas doaram os equipamentos para esta fase experimental, sendo uma delas do Rio Grande do Sul, o que gera expectativa de que o estado possa ser um dos locais de teste.
Embora a fase de testes da PRF seja recente, a tecnologia já está em operação em diversos trechos de rodovias brasileiras, principalmente sob a gestão de concessionárias. No Espírito Santo, por exemplo, a BR-101 conta com essa tecnologia desde fevereiro de 2026, e em um mês de operação, registrou mais de 430 infrações, sendo a maioria por ausência do cinto de segurança. A previsão é que até 2027, cerca de 70% da BR-101 no Espírito Santo esteja monitorada.
Em São Paulo, radares com IA já operam em trechos da Rodovia Anhanguera (Ribeirão Preto), Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (Campinas-Mogi) e no Sistema Anchieta-Imigrantes, implementados por concessionárias como Arteris, Renovias e Ecovias. Em Minas Gerais, a BR-365 (entre Uberlândia e Patrocínio) e rodovias do Sul de Minas (MG-290, BR-459 e LMG-877) também contam com o sistema inteligente.
Dados preliminares de trechos já monitorados indicam uma redução de até 30% nos acidentes após a instalação dos radares com IA, o que sugere um efeito educativo da tecnologia e um impacto positivo na segurança viária.
Objetivos e Impacto na Segurança Viária
O principal objetivo da implementação dos radares com IA é reduzir o número de acidentes e aumentar a segurança nas estradas federais, utilizando a tecnologia como aliada na fiscalização. A distração ao volante, especialmente pelo uso de celular, é apontada como a principal causa de acidentes no Brasil, e a nova tecnologia busca coibir esses comportamentos de risco.
Para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a inovação tecnológica, incluindo sistemas de radar inteligente, é um instrumento para fortalecer a fiscalização, ampliar a segurança viária e a transparência dos serviços prestados aos usuários. A ANTT tem acompanhado de perto as tendências globais e soluções tecnológicas aplicadas à mobilidade.
A fiscalização com IA representa uma evolução, passando de uma medição puramente técnica (como a de velocidade) para uma análise comportamental automatizada e incansável. Com a tendência de a fiscalização se tornar cada vez mais rigorosa e precisa, a orientação aos motoristas é redobrar a atenção e adotar uma postura responsável ao volante, respeitando as normas de trânsito para evitar infrações e garantir mais segurança nas estradas.
