CEO da IBM: Empresas Devem Redesenhar Operações para Serem ‘AI-First’

A adoção da Inteligência Artificial (IA) está redefinindo o futuro corporativo, e as empresas que se destacam são aquelas que a incorporam profundamente em seus modelos de negócio, não apenas como uma ferramenta auxiliar. Essa é a visão de Arvind Krishna, CEO Global da IBM, conforme destacou em recentes discussões e no evento IBM Think 2026. Para Krishna, o maior risco não é avançar rápido demais, mas sim ficar para trás na corrida da IA.
Em uma mesa-redonda com a Forbes Brasil e durante a conferência IBM Think 2026, Krishna enfatizou que as organizações bem-sucedidas estão redesenhando fundamentalmente a forma como operam, transformando-se em empresas ‘AI-first’.
A IA como Novo Modelo Operacional
Arvind Krishna argumenta que a IA deixou de ser uma iniciativa tecnológica para se tornar o próprio modelo de negócio. Ele ressaltou que a profundidade com que a IA está embutida nos processos de uma empresa é mais crucial do que o tamanho do orçamento ou da equipe dedicada à tecnologia. Dados de um estudo global da IBM com 2.000 CEOs revelam que 83% dos líderes acreditam que o sucesso da IA depende mais da adoção pelas pessoas do que da tecnologia em si.
O CEO da IBM compara o momento atual da IA com o surgimento da internet em 1995, sugerindo que aqueles que abraçam a revolução para transformar seus negócios serão os líderes nos próximos anos. Ele descreveu o período atual como o “dia zero da revolução da IA”, onde a oportunidade de ser um pioneiro não durará para sempre.
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Reestruturação da Liderança e Força de Trabalho
A crescente penetração da IA nas empresas está pressionando os CEOs a repensar a estrutura de suas equipes de liderança e os processos de tomada de decisão. O estudo da IBM de maio de 2026 aponta que 76% das organizações pesquisadas já possuem um Chief AI Officer (CAIO), um aumento significativo em relação aos 26% de 2025. Organizações com uma abordagem “AI-first” na composição do C-suite escalaram 10% mais iniciativas de IA em toda a empresa.
Além disso, a força de trabalho será impactada por essa transformação. Entre 2026 e 2028, os CEOs esperam que 29% dos funcionários precisem de requalificação para novas funções e 53% necessitem de aprimoramento de habilidades para desempenhar seus papéis atuais de forma mais eficaz. A IBM planeja triplicar a contratação de nível de entrada em 2026, com a convicção de que a produtividade da IA pode fazer com que uma pessoa com um ano de experiência atue como alguém com cinco anos.
Soberania de Dados e Nuvem Híbrida
Krishna salientou a importância de agir onde os dados estão, destacando que mais de 70% de todos os dados ainda residem dentro das empresas, em sistemas que são o coração do negócio. Por isso, a nuvem híbrida é essencial para unir esses sistemas com a IA. A soberania da IA é considerada crucial para a estratégia de negócios por 83% dos CEOs, ressaltando a necessidade de controles adequados à medida que a IA assume um papel maior em toda a empresa.
O Papel Complementar da Computação Quântica
Olhando para o futuro, o CEO da IBM também destacou o papel da computação quântica. Ele afirmou que a vantagem quântica está se aproximando mais rapidamente do que a maioria das pessoas percebe, com a expectativa de ser alcançada ainda em 2026. Krishna vê a computação quântica e a IA como tecnologias complementares: o quantum pode ajudar a descobrir o que a IA ainda não consegue computar, e a IA, por sua vez, acelera o progresso em algoritmos e fluxos de trabalho quânticos. Empresas como a Cleveland Clinic já estão explorando a computação quântica em descobertas biomédicas e simulações em escala.
Desafios e Oportunidades
Apesar do otimismo, Krishna alertou que apenas 25% da força de trabalho utiliza a IA regularmente em suas funções, mesmo com 86% dos CEOs acreditando que seus funcionários possuem as habilidades para colaborar com a IA. Ele também criticou os gastos trilhonários em data centers de IA, considerando-os economicamente irrealistas dadas as atuais infraestruturas e a rápida depreciação do hardware de IA.
Para os CEOs, a recomendação é focar em duas ou três áreas de alto impacto onde os benefícios da IA são comprováveis, investindo excessivamente nelas em vez de dispersar esforços em inúmeros experimentos. A métrica de sucesso para a estratégia de IA da IBM, segundo Krishna, será o crescimento do software, indicando que o valor está se deslocando para a camada de plataforma, onde a IA se integra aos fluxos de trabalho de produção.
Desdobramentos e Perspectivas
A IBM continua a expandir suas capacidades de IA empresarial e gestão de nuvem híbrida, com lançamentos como o IBM watsonx Orchestrate para orquestração de múltiplos agentes e o IBM Sovereign Core para independência operacional. A empresa está focada em entregar um retorno sobre investimento (ROI) rápido e mensurável, aplicando IA a casos de uso práticos e escaláveis.
O futuro das empresas, na visão de Arvind Krishna, será definido pela sua capacidade de se tornarem verdadeiramente “AI-first”, integrando a inteligência artificial não apenas como uma ferramenta, mas como o cerne de sua estratégia e operações.
