China Lança IA de Autoevolução, Superando Eficiência Humana em Testes

Pesquisadores chineses têm avançado significativamente no desenvolvimento de sistemas de Inteligência Artificial (IA) com capacidades de autoevolução e autoaperfeiçoamento. Destaca-se o modelo ASI-Evolve, criado pela Universidade Jiao Tong de Xangai, que demonstra a habilidade de aprimorar-se continuamente, gerando e testando versões mais eficientes de si mesmo.
Em testes específicos, o ASI-Evolve foi capaz de melhorar uma função de mecanismo de atenção em 0,97 pontos em um benchmark padrão, em comparação com 0,34 pontos alcançados por um humano, indicando ser quase três vezes mais rápido no autoaperfeiçoamento nessa tarefa.
Avanços em IA Autoevolutiva e Agente Autônomo
O conceito de IA que “evolui sozinha” refere-se a sistemas que podem aprender, adaptar-se e otimizar suas próprias arquiteturas ou algoritmos sem intervenção humana direta contínua. Em outubro de 2025, a China apresentou o World-Omniscient World Model (WoW), um “sistema de modelo mundial multimodal autoevolutivo”. Desenvolvido por pesquisadores do Centro de Inovação de Robôs Humanoides de Pequim, em colaboração com a Universidade de Pequim e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, o WoW permite que robôs e agentes digitais “imaginem, verifiquem e autocorrjam”, aprendendo continuamente a partir de seu ambiente e simulações.
Outros exemplos recentes de IA com capacidades avançadas de agência e autoaperfeiçoamento incluem:
- DeepSeek V4 (abril de 2026): Este modelo chinês possui “habilidades de agência que podem atuar autonomamente em nome de um usuário, como escrever código”. A empresa afirma que o V4 possui a melhor capacidade de codificação agêntica entre os modelos de código aberto.
- IQuest Coder V1 (janeiro de 2026): Desenvolvido por um fundo de hedge quantitativo chinês, este sistema de IA para codificação inclui variantes como o “IQuest Coder Thinking” para raciocínio complexo e o “IQuest Coder Loop” com arquitetura de transformador recorrente. Demonstrou alta performance em benchmarks de codificação, com um modelo de 40 bilhões de parâmetros rivalizando com modelos de 800 bilhões, sugerindo alta eficiência.
- GLM 5.1 (abril de 2026): Lançado pelo laboratório chinês Z.I EI (anteriormente Zhipu AI), este modelo de código aberto alcançou o topo do SWE-Bench Pro, um rigoroso benchmark de codificação. O GLM 5.1 é notável por sua capacidade de “trabalhar sozinho por mais de oito horas sem parar, planejar, executar experimentos, ler os resultados, encontrar problemas e corrigi-los ao longo de centenas de rodadas e milhares de chamadas de ferramentas, tudo por conta própria”.
É importante ressaltar que, embora esses sistemas demonstrem autonomia em ciclos de aprendizado e otimização, os pesquisadores do ASI-Evolve enfatizam que a IA “ainda exige supervisão humana em sua ‘evolução'” e que os objetivos e ideias centrais iniciais são sempre propostos por humanos. O valor reside na capacidade da IA de explorar e iterar rapidamente sob essa orientação.
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Eficiência e o Cenário Global da IA
A busca por eficiência é uma tendência crescente na pesquisa chinesa de IA. Enquanto laboratórios ocidentais frequentemente focam na escala, os chineses são reconhecidos por otimizar a eficiência de seus modelos. Modelos como os da DeepSeek são competitivos e, muitas vezes, mais econômicos de usar do que alternativas ocidentais.
O Debate Global sobre a Segurança da IA
Apesar do rápido avanço tecnológico, o debate sobre a segurança da Inteligência Artificial é uma pauta global e a China participa ativamente dessa discussão. O país considera a segurança da IA uma questão de segurança nacional e tem implementado diversas medidas regulatórias.
Em 2023, a China lançou a “Iniciativa Global de Governança de IA” e seu Plano Nacional de Resposta a Emergências agora inclui a segurança da IA ao lado de pandemias e ataques cibernéticos. O país tem emitido um número crescente de padrões nacionais de IA, superando os três anos anteriores combinados apenas no primeiro semestre de 2025.
Há um debate contínuo sobre se a abordagem da China à segurança da IA se alinha completamente com os padrões democráticos ocidentais. No entanto, especialistas chineses contribuíram para esforços internacionais como o Relatório Internacional de Segurança da IA, apoiado por 33 países, incluindo EUA e China, e o Consenso de Singapura sobre Prioridades de Pesquisa em Segurança Global da IA.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
A intensa pesquisa e desenvolvimento na China, focada em IA autoevolutiva e agentes autônomos, sinaliza uma nova era de inteligência adaptativa. O governo chinês continua a priorizar o P&D e a atualização iterativa de produtos de IA de próxima geração, incluindo interfaces cérebro-computador, veículos autônomos e robôs, com o objetivo de integrar a IA ao setor manufatureiro e a diversos aspectos da vida cotidiana.
A competição entre modelos de IA tem se deslocado da mera contagem de parâmetros para a eficácia no mundo real, a eficiência de inferência, a multimodalidade nativa, as capacidades de agente e o processamento de contexto longo, áreas onde a China tem demonstrado avanços notáveis.
