Flávio Bolsonaro usa IA para atacar Lula após fala sobre PCC e CV

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após declarações do mandatário sobre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A ação intensificou o debate político e o uso de tecnologia avançada em pré-campanhas eleitorais para 2026.
Contexto da Polêmica: Fala de Lula e Classificação dos EUA
A controvérsia teve início após o governo dos Estados Unidos classificar o PCC e o CV como organizações terroristas globais no final de maio de 2026. Em resposta, o presidente Lula expressou “tristeza” com a decisão e criticou o que considerou uma possível interferência na soberania brasileira. Durante uma agenda em Sergipe, Lula afirmou que o combate a essas facções é uma questão interna do Brasil e que o governo federal está agindo contra elas, inclusive com a aprovação de uma Lei Antifacção.
Em sua fala, Lula também mencionou que “nossos criminosos” estão sendo combatidos, o que foi interpretado pela oposição como uma defesa das facções. Posteriormente, o presidente buscou neutralizar as críticas ao afirmar que PCC e CV são “terroristas para as comunidades brasileiras”, mas manteve a posição de que o Brasil não aceitará ser tratado como uma “republiqueta” ou ter intervenção externa no combate ao crime organizado.
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Ataque de Flávio Bolsonaro com Vídeo de IA
Aproveitando a repercussão das declarações de Lula, Flávio Bolsonaro divulgou em suas redes sociais um vídeo com inteligência artificial que distorcia a fala do presidente. No material, Bolsonaro utilizou o trecho em que Lula se refere a “nossos criminosos”, alterando-o para “Seus criminosos”, e acusou o governo de defender os integrantes das facções em vez da população afetada pela violência.
Um dos vídeos de IA veiculados pela pré-campanha de Bolsonaro apresentava uma caricatura de Lula saindo da Casa Branca com uma camisa com a frase “Trump, deixe nossos bandidos em paz”. Outra peça combinava falas do presidente com cenas de violência, finalizando com a mensagem “Não é Flávio contra Lula, é Lula contra todo o Brasil”.
O senador Flávio Bolsonaro tem defendido a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas e, inclusive, afirmou ter feito lobby junto a autoridades americanas para que essa medida fosse adotada. A estratégia visa capitalizar politicamente sobre a questão da segurança pública e desgastar a imagem do atual presidente em vista das eleições de 2026.
Desdobramentos e o Uso da IA na Política
A utilização de inteligência artificial em campanhas eleitorais tem sido um tema de crescente preocupação e regulamentação no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou novas regras para as eleições de 2026, exigindo que conteúdos criados ou significativamente alterados por IA sejam explicitamente identificados. Além disso, a Justiça Eleitoral proibiu a veiculação de deepfakes e a recomendação algorítmica de candidatos por provedores de IA, buscando combater a desinformação e proteger a integridade do processo eleitoral.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, criou uma comissão permanente para lidar com o uso responsável da inteligência artificial nas campanhas, demonstrando a seriedade com que o tema é tratado. A facilidade de criação de conteúdos sintéticos e a dificuldade da população em distinguir o real do fabricado pela IA representam um desafio significativo para a fiscalização e a manutenção da democracia.
Este não é o primeiro uso de IA por Flávio Bolsonaro em sua pré-campanha. Em fevereiro de 2026, ele divulgou um vídeo com IA criticando Lula em relação ao Carnaval, e em maio, outro vídeo sobre uma suposta negociação de “terras-raras” com o ex-presidente Donald Trump.
